Sala Walter da Silveira exibe documentários e curtas-metragens espanhóis inéditos no Brasil

16/09/2007

Com apoio da Diretoria de Artes Visuais e Multimeios (Dimas), o Instituto Cervantes realiza, de quinta-feira (15) ao dia 21, sempre às 18h, na Sala Walter da Silveira, um ciclo de documentários e curtas-metragens espanhóis. O destaque da programação, inteiramente inédita no Brasil e que não encontra distribuição comercial no país, fica por conta de Em Construção, de José Luis Guerín, rigoroso registro do cotidiano de um tradicional bairro de Barcelona ameaçado por um plano de reforma.


Franqueado ao público, o ciclo pretende não só atualizar, como chamar a atenção do cinéfilo baiano para dois segmentos da produção cinematográfica espanhola pouco difundidos fora dos circuitos de festivais. Completam a grade de exibição do cinema dos Barris, no período, os filmes Crônica do Amor Louco, de Marco Ferreri, às 14h e 20h30, e As Damas do Bosque de Boulogne, de Robert Bresson, às 16h, ambos em reprise.


O documentário espanhol, no contexto atual, desperta certa inquietude ao seguir reconhecendo múltiplas realidades e a sociedade em que se insere. Incita o aprofundamento em sua história e o conhecimento da língua em que esses personagens se expressam, tendo como máximo valor a palavra.


A criação documentarista no cinema espanhol vive momentos de impulso e transformação. Os novos realizadores do panorama cinematográfico buscam formas alternativas de desenvolvimento desta linguagem e, com isso, diferentes pontos de vista sobre as realidades cotidianas que pretendem refletir. A escola de José Luis Guerín (diretor de Em Construção), com a nova corrente documentarista da “vida captada de improviso”, representa junto a Dominique Abel e o filme Polígono Sul - A Arte das Três Mil uma fiel mostra desta tendência. O espectador é introduzido na vida dos personagens, misturando ficção e realidade.


Por outro lado, permanece a escola documentarista que luta para não perder a realidade de um momento histórico. É o caso de O Trem da Memória, que narra a história esquecida de milhares de espanhóis que emigraram durante o franquismo, principalmente para a Alemanha.


Já Um Instante na Vida Alheia é um documentário que, baseado também na busca da memória, narra a vida de Madronita Andreu-Klein, nascida em uma família da alta burguesia de Barcelona em 1895. Desde sua juventude se interessou pela fotografia e, desde muito cedo pelo cinema, que veio a ser sua grande paixão. A partir de então, dedicou-se incansavelmente a filmar sua própria vida e a de todos aqueles que a rodeavam. Este filme apresenta uma seleção do material rodado por Andreu-Klein, desde 1922 até 1980.


Por último, em No mundo a cada segundo, vários realizadores espanhóis tratam de mostrar, através de várias histórias e diferentes testemunhos, as cinco prioridades do Unicef: a educação das garotas, o desenvolvimento integrado na primeira infância, a imunização, a luta contra o HIV/Aids e a proteção contra a violência, a exploração e a discriminação, sendo composto, além das fronteiras nacionais, pela abordagem de cinco histórias.


Curta-metragem espanhol


O curta-metragem espanhol foi, durante os anos 90, uma plataforma para futuros diretores de cinema. Foi evoluindo até se converter, atualmente, em um dos formatos mais bem-sucedidos do cinema atual. Uma nova geração se destaca nessa produção, obtendo êxito não somente na Espanha, mas também em outros países, sendo dois dos realizadores aqui apresentados candidatos ao Oscar de Hollywood por seus filmes.


A mostra pretende oferecer uma visão de alguns dos melhores curtas realizados na Espanha durante os últimos anos da década de 90, uma de suas etapas mais frutíferas. Entre as características mais marcantes deste gênero audiovisual, está a experimentação.


Alguns curtas apresentados são as primeiras obras audiovisuais de diferentes diretores do cinema espanhol, como Metrô, de Achero Mañas. Estão na grade também curtas-metragens de diretores em início de carreira, que conseguiram, até o momento, ótimas críticas, como 7h35, de Nacho Vigalondo (que concorreu ao Oscar como melhor curta-metragem de ficção em 2005) e A primeira vez, de Borja Cobeaga, que disputou o mesmo prêmio em 2006.