As Secretarias de Educação do Estado (SEC) e do Município (SMEC) querem unificar, já em 2008, o processo de matrícula para os cerca de 740 mil alunos das redes municipal e estadual que estudam em Salvador. Com a mudança, as duas redes pretendem gerar uma economia nos gastos da matrícula e otimizar a oferta de vagas atendendo às reais demandas nos bairros da capital.
Somente com a unificação do processo de matrícula, haverá cortes nos custos com publicidade, infra-estrutura e recursos humanos. Outra novidade é que o planejamento de vagas para 2008 será feito em parceria, possibilitando que a oferta nas duas redes atenda à real necessidade dos bairros. O planejamento conjunto pode resultar, inclusive, na diminuição de prédios alugados para sediar escolas, que atualmente geram à SMEC um custo mensal de R$ 150 mil.
“Estamos inaugurando uma nova cultura de relacionamento entre o estado e os municípios”, afirmou o secretário da Educação Adeum Sauer. “Esse diálogo só gera benefícios, a começar pela diminuição dos gastos com o dinheiro público”, avaliou o secretário municipal, Ney Campello. Os dois se reuniram ontem (10), na SEC.
Ficou acertada também a parceria em projetos prioritários, como o combate ao analfabetismo, e na revitalização do Solar da Boa Vista, prédio pertencente ao estado, onde funciona provisoriamente a sede da SMEC. O solar é um conjunto arquitetônico tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) desde 1943.
A proposta é que o prédio, primeira residência do escritor Castro Alves, se transforme futuramente num museu dedicado ao Poeta dos Escravos, após a devida revitalização, em parceria com órgãos da cultura e turismo no âmbito do Governo do Estado e da Prefeitura de Salvador. Ao mesmo tempo, a SMEC passaria a funcionar em outro prédio cedido pelo Estado, atualmente sem uso, localizado na Avenida Sete de Setembro, mais próximo à Prefeitura Municipal.
A mobilização que a SEC está liderando no combate ao analfabetismo na Bahia ganhou a adesão da SMEC, que quer ampliar iniciativas já realizadas no município. “Alfabetizamos, em 2006, 22 mil jovens e adultos. Com o apoio da SEC, podemos ampliar esse número para 100 mil”, afirmou Campello.
Ele também apresentou o projeto Criança Viva, que oferece a continuidade de estudos a crianças em tratamento hospitalar, e a experiência da rede municipal na inserção da cultura e da história afrodescentende no currículo da educação básica.