Secretaria de Turismo discute ações de turismo étnico na Bahia

16/09/2007

Desenvolver o turismo étnico afro como uma atividade econômica sustentável, com papel relevante na geração de empregos e ingressos de divisas, e contribuir para a inclusão social estão entre as principais metas do Programa de Ação do Turismo Étnico Afro da Bahia. Esta semana, a Secretaria de Turismo do Estado (Setur) reuniu representantes de diversas entidades afro para iniciar a discussão sobre o assunto, com as participações de artistas, ialorixás e dirigentes de órgãos turísticos.


Dentre as idéias iniciais apontadas está a de que os eventos se estenderão durante todo o ano. “Esse trabalho de promover uma programação fixa é importante para permitir que o turista com interesse étnico, que vem comprar nossas mercadorias físicas e culturais, possa programar a viagem com antecedência”, lembra o secretário estadual de Turismo, Domingos Leonelli. Para o coordenador de Turismo Étnico da Setur, Billy Arquimimo, o projeto enfatiza o que há de melhor na Bahia, que é o povo, e tem a pretensão de atingir suas metas entre 2008 e 2010.


Falando sobre o contexto e perfil do turista afro-americano, o secretário explicou que este permanece em média sete dias na Bahia, os pacotes são vendidos a partir de US$ 800 e o maior fluxo desses visitantes se concentra no mês de agosto em decorrência da Festa da Boa Morte, quando Cachoeira recebe cerca de 300 turistas, com permanência média de três dias.


João Jorge, do Olodum e do Fórum de Entidades Negras, e Marcos Rezende, do Coletivo de Entidades Negras, explicaram que serão promovidas discussões entre as entidades sobre a proposta. O projeto pretende difundir o conceito de turismo étnico afro, assim como pesquisar e coletar dados que contribuam para a elaboração de políticas públicas e modelos de gestão. Um dos principais objetivos é ampliar o fluxo de turistas e investidores do mercado afro-americano.


Um dos aspectos ressaltados é a valorização da identidade cultural como sustentável. “O papel do governo, através da Secretaria de Turismo, é desenvolver o projeto, enquanto o da Bahiatursa será o da promoção e de venda do novo produto”, assinalou a representante da empresa Rosana França, explicando que, inicialmente, o alvo será o mercado norte-americano.


“Será necessário o estímulo ao empreendedorismo nos sítios culturais, a exemplo da Liberdade, Ribeira, Pelourinho, Itapuã e cidades como Cachoeira e São Felix, com a construção de pousadas e a revitalização do local”, assinalou Arquimino. O investimento será ampliado aos moradores dos locais, proporcionando cursos profissionalizantes e contribuindo para o desenvolvimento econômico dos bairros.


Na avaliação do professor Júlio Braga, especialista em estudos afro-brasileiros, “trata-se de um trabalho oportuno de extensão e desenvolvimento através da história do negro”.