O Teatro XVIII recebeu, este ano, do Governo do Estado, mais de R$ 77,4 mil. Tem projetos aprovados pelo Fundo de Cultura, no valor de R$ 319,7 mil, e pelo Fazcultura, no valor de R$ 659,4 mil, uma parte com patrocínio assegurado. Os números estão na nota oficial divulgada, hoje (24), pela Secretaria Estadual de Cultura (Secult), em contraposição às informações de que o teatro fechou as portas por falta de apoio do governo.
“Por reconhecer a importância do Theatro XVIII, a Secretaria de Cultura continua compromissada a ajudar a encontrar a melhor solução para a continuidade das suas atividades culturais”, diz um trecho da nota. O documento informa que a Auditoria Geral do Estado identificou irregularidades na administração de recursos públicos por parte do Teatro XVIII e de outras instituições parceiras. Para a Secult, a maior parte dos problemas foi gerada por falta de controle do estado, na gestão anterior.
A Secult garante estar auxiliando as instituições culturais a resolverem suas pendências e que todas as Theatro XVIII, desde 2003, foram regularizadas com apoio da atual gestão. Resta um questionamento, para o qual foi apresentado recurso pela administração do teatro, no mesmo dia em que anunciou publicamente o fechamento do XVIII: a nota fiscal do serviço de captação de recursos, no valor de R$ 20 mil, emitida pela Empresa Agropecuária Sanches e Souza, localizada no município de Irecê, cuja atividade é de prestação de serviços de agronomia e atividades agrícolas e pecuárias.
A Auditoria Geral do Estado recomendou a devolução desse recurso, por considerar a inadequação da empresa às atividades culturais. Por este motivo – explica a nota oficial - o acesso do Theatro XVIII às verbas aprovadas pela Secretaria de Cultura, este ano, dependem apenas da decisão da administração do teatro.
Não há crise na Cultura
Segundo a Secult, está sendo disseminada a idéia de que existe uma crise na Cultura da Bahia. “Não é verdade. O que existe é a ruptura com o modelo anterior da gestão da Cultura no estado”, rebate a nota. Para implementar o novo modelo, a Secretaria decidiu desconcentrar para todos os 417 municípios do estado os investimentos em Cultura. Nos anos anteriores, 80% destes recursos ficavam concentrados em Salvador e RMS, quando 80% da população encontra-se no interior.
Foi deliberado que 50% dos recursos do Fazcultura serão destinados a projetos realizados no interior do Estado e estabelecidas cotas de participação nas seleções públicas do Fundo de Cultura, contemplando, também, comunidades indígenas, quilombolas e produtores do interior, inclusive da zona rural.
Outra ação da Secult foi democratizar os recursos disponíveis, beneficiando um número maior de promotores em todo estado. “No passado, 38% dos recursos do Fundo de Cultura foram para apenas seis instituições e 40% dos recursos do Fazcultura foram para 10 proponentes”, destaca a nota oficial.
Foi instituído um teto de participação por proponente no Fazcultura (R$ 500 mil, exceto projetos de cinema e patrimônio) e no Fundo de Cultura (R$ 400 mil para manutenção de instituições culturais); criadas novas formas de apoio para projetos de pequeno valor, intercâmbio e manutenção de grupos artísticos (antiga reivindicação da classe); e priorizada a distribuição de recursos por meio de editais.
O objetivo, de acordo com o documento, é recolocar o papel do estado no financiamento da Cultura, não mais como mecenas exclusivo, mas como articulador para a construção de modelos de sustentabilidade mais sólidos e maduros, estimulando a diversidade de fontes de recursos. O valor financiado para manutenção de instituições foi limitado em 80%, foi firmada parceria com o Desenbahia para concessão de microcrédito para trabalhadores culturais, e constituído um programa de capacitação em gestão cultural.
Também são enumeradas ações para a construção de um processo democrático de políticas públicas para a cultura, como o Fórum de Dirigentes Municipais da Cultura, com representantes dos 26 territórios de identidade, e os encontros para a construção do Plano Estadual de Cultura, que reuniu, até o momento, mais de 7 mil pessoas, em 161 municípios. A estimativa é que, até o final de outubro, quando acontecerá da II Conferência Estadual de Cultura, 30 mil cidadãos de 417 municípios tenham participado desse processo.
Secretaria diz, em nota, que Theatro XVIII fez uso inadequado de recursos
24/09/2007