A Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e o Centro de Arqueologia e Antropologia de Paulo Afonso, vinculado à Universidade do Estado da Bahia (Caapa/Uneb), estiveram reunidos hoje (29) para discutir políticas de preservação do patrimônio histórico-cultural, arqueológico e paisagístico do complexo de sítios rupestres de Malhada Grande, localizado no município de Paulo Afonso.
As rochas do complexo, que inclui os povoados de Malhada Grande, Rio do Sal e Lagoa das Pedras, estão sendo depredadas e transformadas em paralelepípedos, usados para pavimentação. De acordo com o estudo feito pelo Caapa, dos 93 sítios identificados em 2004, cerca de 40% já foram destruídos.
O secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos, sugeriu a definição de ações conjuntas para preservar os sítios rupestres e promover a sustentabilidade das famílias que hoje vivem da quebra de pedras. Ele destacou que a área é dotada de atributos excepcionais da natureza e precisa ser preservada com objetivos científicos, educacionais e ecológicos. “Vamos estudar, junto com os diversos segmentos da sociedade que atuam na região, as melhores alternativas para resolver o problema”, ponderou o secretário.
Durante o encontro, representantes de diversas instituições que atuam na região mostraram interesse de firmar parceira com a Semarh e a Uneb a fim de implementar o projeto de criação de um museu a céu aberto de arte rupestre. “O patrimônio arqueológico é a expressão da vida no passado”, explicou a coordenadora do Caapa e professora da Uneb, Cleonice Vergne. A perda dessa expressão material, segundo ela, significa a destruição permanente de parcelas significativas do conhecimento. “Os sítios rupestres são essenciais para a compreensão do modo de vida e cultura na pré-história regional”, disse.
De acordo com a técnica da Coordenação de Fiscalização do Centro de Recursos Ambientais, Débora Miriam, será instalada, ainda este ano, a sede regional de fiscalização do CRA no município de Paulo Afonso. “O órgão pretende contratar um arqueólogo para trabalhar na região”.
Também estiveram presentes à reunião representantes da Secretaria Estadual de Turismo, da Superintendência de Recursos Hídricos (SRH), do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan), do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), da Chesf, da Câmara de Vereadores e da Prefeitura Municipal de Paulo Afonso, e da ONG Associação e Gestão em Estudos da Natureza, Desenvolvimento Humano e Agroecologia (Agendha).