Sesab descarta contaminação por carne bovina como causa da morte de aposentado baiano

16/09/2007

A Secretaria de Saúde descartou hoje (13) a hipótese de contaminação por ingestão de carne bovina, no caso do aposentado de 67 anos, que morreu há duas semanas no Hospital Santa Izabel, por ter contraído a forma humana da doença conhecida como ‘vaca louca’. Segundo o secretário Jorge Solla, os estudos sobre a rara doença, que pela primeira vez foi oficialmente constatada na Bahia, revelaram um quadro de mutação genética causada por uma partícula de proteíca infecciosa produzida pelo próprio organismo, denominada príon.


Em entrevista coletiva na sede da Sesab, no Centro Administrativo, o secretário tranqüilizou a população, recomendando o consumo normal de carne bovina e ressaltando que não há indícios de que a doença seja contagiosa. “Os exames realizados no paciente afastaram qualquer hipótese de contaminação por ingestão, indicando que o caso foi um episódio isolado que não se constitui em risco epidemiológico para a população”.


Os sintomas são os mesmos da doença que atingiu o gado bovino da Grã-Bretanha no final dos anos 90: demência rapidamente progressiva, associada a contrações musculares involuntárias, assemelhando-se inicialmente a um acidente vascular cerebral, mais conhecido como derrame. “Só que na forma humana, 85% dos casos são provocados por mutação genética, ocorrendo esporadicamente e sem nenhuma evidência da doença na história familiar, como aconteceu com o paciente baiano”, explicou Solla.


Ele frisou que, no homem, apenas 10% a 15% dos casos da doença são hereditários ou provocados por ingestão de carne de algum animal contaminado. Os chamados casos esporádicos, como o ocorrido na Bahia, classificam-se entre os quadros das doenças chamadas priônicas e já foram registrados no Reino Unido, Alemanha, Espanha, Itália, Austrália, Holanda, Estados Unidos e Japão, onde foram registrados no total 2.199 casos, entre 1993 e 2000. No Brasil, de 1980 a 1999, foram verificados 105 mortes de pacientes com suspeita de terem contraído, por mutação genética, a variante humana da doença – denominada, tecnicamente, como Doença de Creutzfeldt-Jakob.


Por se tratar de uma doença rara e ainda em estudo, foram adotados com o paciente baiano rigorosos procedimentos de biossegurança, desde a internação ao sepultamento, conforme informou a superintendente Vigilância Sanitária, Lorene Pinto. Ela explicou ainda que pelo Regulamento Sanitário Internacional as doenças priônicas devem ser comunicadas aos países que já desenvolvem estudos de forma mais avançada, o que já foi providenciado pela Sesab, assim como às universidades brasileiras que desenvolvem análises científicas na área.