O projeto de revitalização do Rio São Francisco, do Governo Federal, prevê uma série de intervenções para minorar o problema da seca e alavancar a economia no Nordeste. Uma delas é o sistema multimodal de transportes do São Francisco, que tem como objetivo interligar hidrovia, rodovias e ferrovias para facilitar o escoamento da produção dos principais pólos econômicos nordestinos, em especial, o oeste baiano.
Esse sistema atenderá 19 pólos econômicos espalhados pelo Nordeste, sobretudo na Bahia, Pernambuco, Ceará e Piauí. “Uma vez implantado, o sistema multimodal vai interligar o oeste da Bahia com os portos de Aratu, de Pecém (a 45 quilômetros de Fortaleza) e de Suape, em Pernambuco, permitindo um ganho sobre os custos logísticos de transporte da produção, tanto do oeste baiano, quanto da região do Araripe, em Pernambuco, beneficiando ainda o transporte de algodão para o Pólo Têxtil de Fortaleza”, declarou o secretário estadual de Infra-estrutura, Antonio Carlos Batista Neves, em recente encontro na Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb).
Na Bahia, existem três modais ao longo do Rio São Francisco: rodoviário - BR. 242 (300 quilômetros de Luís Eduardo à Ibotirama); hidroviário - Ibotirama a Juazeiro (700 quilômetros); e ferroviário - Juazeiro a Aratu (500 quilômetros). A interligação entre eles está na hidrovia.
Foi firmado um convênio entre os Governos do Estado, através da Secretaria de Planejamento (Seplan) e da Seinfra, e Federal, através da Chesf e da Codevasf, para fazer o estudo de viabilidade de implantação do sistema, o desenvolvimento de um novo ente gestor da hidrovia e um operador de transporte multimodal.
Investimentos
O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) prevê investimentos na ordem de R$ 60 milhões para a realização da dragagem e derrocagem da hidrovia, além de R$ 26 milhões, para a construção do acesso ao porto de Juazeiro até a malha da Ferrovia Centro Atlântica (FCA). “Além da recuperação da hidrovia, estamos trabalhando na recuperação das estradas vicinais que dão acesso ao Rio São Francisco, para permitir que o modal hidroviário escoe as produções”, pontuou o secretário.
Os estudos, que estão sendo feitos pelo consórcio entre as empresas Booz Allen, Lojit e MMSO e coordenados pela Seinfra, também têm como objetivo desenvolver um modelo institucional para a administração da hidrovia. “Seria um operador de transporte multimodal, com a função de fazer o transporte da carga porta a porta. Ele se responsabilizaria por um contrato de transporte da carga, do produtor até o destino final, podendo ser tanto para um consumidor interno quanto um porto para exportação”, explicou o diretor de Lojística da Seinfra, Mateus Dias.
Segundo o diretor da Codevasf, Clementino Coelho, o sistema multimodal vai possibilitar o destravamento dos modais que tem impedido o oeste baiano de crescer a taxas mais aceleradas. “A região só tem ocupado 1/3 da sua área agricultável, por questões de modais competitivos de escoamento e essa é a solução mais rápida, em curto prazo. Temos também a fruticultura em Juazeiro e em Petrolina carecendo também de um modal competitivo, que seria justamente a ferrovia, ao invés do caminhão. E temos também um fluxo reverso, como os fertilizantes da região de Mataripe e os combustíveis, que no lugar de estarem transitando e deteriorando as estradas brasileiras, poderiam estar na hidrovia e na ferrovia”.
Coelho ressalta que, com a implantação do sistema, o Nordeste terá um corredor que vai ter um consórcio formatado pelos usuários e liderado pelas grandes empresas, como a Companhia Vale do Rio Doce (concessionária da FCA, que liga Juazeiro a Salvador), a Petrobras, além dos empresários e da iniciativa privada no oeste da Bahia, que carecem justamente de fretes mais competitivos.