A chama que acendeu a Tocha dos Jogos Pan-americanos Rio 2007 chegou hoje (5) a Porto Seguro, de onde seguiu para Coroa Vermelha, em Santa Cruz Cabrália, municípios da Costa do Descobrimento. O fogo, que foi aceso no dia 4 de junho, às 12h, nas Pirâmides de Teotihuacán, no México, segue por 27 capitais e 22 localidades brasileiras, totalizando 51 pontos de passagem. Os jogos Pan-americanos serão realizados em julho, na cidade do Rio de Janeiro.
Para o cacique Pataxó Aruã, que passou a chama para as mãos do ministro dos Esportes, Orlando Silva, Coroa Vermelha é um solo sagrado para o povo indígena do Brasil. Ele afirmou que o seu povo está vivendo um momento único na sua história e pediu que fossem construídas quadras poliesportivas para os índios da região da Coroa Vermelha.
“Quem sabe um dia o Brasil não será representado por um índio em sua equipe olímpica? Força, coragem e determinação nós temos. Que a chama reacenda a esperança do povo Pataxó”, declarou. Aruã lembrou que Santa Cruz Cabrália é o lugar onde o Brasil foi descoberto, com a colonização e com o extermínio de muitos povos indígenas. Para ele, ter sido Coroa Vermelha a sede do acendimento da tocha foi um momento de reconhecimento e valorização do direito de todos os povos indígenas do país.
O turista português Ruy Salgado, 72 anos, e sua esposa, Eulália Vieira, 69, avaliaram que o mais importante do evento é a simbologia de união entre os povos. Eles se disseram privilegiados de poderem assistir o momento em que a tocha foi acesa, ao qual chamaram de instante memorável. “É uma manifestação que de fato é relativa também a nós portugueses e tudo isso é uma forma de o Brasil já começar vencendo”, afirmou Ruy.
O esporte, segundo o diretor de uma escola da região, Jorge Klein, é fundamental como instrumento de integração e disciplina para os jovens. Ele levou representantes dos seus 200 alunos para assistir o acendimento da Tocha na Coroa Vermelha. “Este evento traz os olhos do Brasil e do mundo para nossas terras e com isso a gente só tem a crescer”, afirmou.
Revezamento
A chama chegou em um avião vindo do México, pelas mãos do prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, que a entregou ao governador. Os prefeitos de Porto Seguro e Santa Cruz Cabrália também conduziram a tocha, até que ela chegasse às mãos do cacique Aruã, que a entregou para o ministro dos Esportes, Orlando Silva. O ministro passou a lanterna para a pira, o governador Jaques Wagner acendeu a tocha e Wilson Gomes Carneiro deu início ao revezamento.
""O Revezamento é mais uma oportunidade de levar o Rio 2007 a todas as partes do Brasil"", destacou o presidente do Comitê Olímpico, Carlos Arthur Nuzman. A tradição antecipa todas as edições dos Jogos Olímpicos e simboliza a paz, a amizade e a integração dos povos, através do esporte.
Segundo o ministro do Esporte, Orlando Silva Jr., a tocha é uma forma simbólica de nacionalizar a realização dos Jogos. “Sua passagem vai motivar a população em torno dos Jogos Pan e Para-pan-americanos Rio 2007 e incentivá-la a ter o esporte como referência de construção de uma melhor qualidade de vida”, afirmou.
O governador Jaques Wagner lembrou que no sábado (9) a tocha olímpica vai estar em Salvador. “O estado fica feliz em saber que é o ponto de chegada da chama. Está sendo exatamente como tudo começou há 507 anos, observou. Para ele, o evento representa o peso da Bahia na história do Brasil.
Wagner disse ainda que o Governo do Estado está se esforçando para tornar a Bahia uma sub-sede da copa do mundo de 2014, caso seja confirmado, no próximo mês de julho, a sua realização no Brasil. “Hoje não temos nenhum campo dentro dos padrões exigidos pela Federação Internacional de Futebol (Fifa) e essa é uma corrida de obstáculos que teremos que cumprir, portanto, nós já entramos nessa disputa”, garantiu.
A ministra do Turismo, Marta Suplicy, disse que o Brasil merece e tem condições de sediar as Olimpíadas e a Copa. “Somos um país que possui recursos naturais, tecnológicos e humanos para sediar os maiores eventos do mundo”, afirmou. A ministra aproveitou o evento para comunicar que o ministério do turismo aprovou a construção de um píer em Santa Cruz de Cabrália. “Os navios poderão atracar aqui e o turismo nessa região vai se desenvolver muito”, garantiu.
Primeiro brasileiro medalhista no Pan-americano
Wilson Gomes, 77 anos, primeiro medalhista pan-americano do Brasil, inaugurou o revezamento da tocha. Bancário, tornou-se um anônimo e ficou emocionado com o reconhecimento, 56 anos após o feito histórico. “Nestes 400 metros por que carreguei a tocha, eu me lembro dos demais atletas que participaram da competição e me sinto honrado com a homenagem”, declarou. Wilson entregou a tocha para a nadadora baiana Ana Marcela Cunha, de apenas 15 anos, competidora mais jovem dos Jogos Pan-americanos no Brasil.
Ana Marcela, que é a atual campeã Brasileira de Maratonas Aquáticas e também da Travessia de Fortes, no Rio de Janeiro, começou a nadar pelo Faz Atleta, programa incentiva o esporte amador olímpico e concede abatimento de impostos a empresas situadas na Bahia que ajudam financeiramente projetos esportivos. Atualmente, ela compete pela Universidade Santa Cecília, de Santos, no estado de São Paulo.
Segundo o secretário do Trabalho, Renda e Esporte, Nilton Vasconcelos, este ano, R$ 3,3 milhões estão sendo investidos no Faz Atleta. “Mas há um determinado ponto em que os jovens começam a atingir um certo destaque, ganhar medalhas, e as ofertas de incentivos de empresas privadas ou até mesmo dos poderes públicos de outros estados supera a nossa capacidade”, declarou.
Ele afirmou que o Governo do Estado pretende investir no atual parque de Pituaçu, em Salvador, para a construção de uma praça de esportes. “São projetos que envolvem recursos razoáveis e o governo está concluindo os seus estudos para a definição das prioridades”, avalia.
De mãos em mãos
O pugilista baiano Acelino ‘Popó’ Freitas vai coordenar a equipe brasileira de boxe que vai disputar o Pan, formada por 11 atletas, sendo seis baianos, quatro paraenses e um paulista. Popó, que foi medalha de prata durante os jogos Pan-americanos de 1995, em Mar Del Plata, disse que todos têm excelente nível técnico e estão sempre participando de torneios internacionais.
A atleta de Feira de Santana, Aline Borges, 18 anos, que pratica saltos em distância e triplo desde os 13 anos, irá conduzir a tocha em seu município e concorda com Popó. “O esporte representa tudo na minha vida e carregar a tocha é uma oportunidade única na minha vida”, declarou.