Toré e parceria com o Estado marcam festa do Índio em Ilhéus

16/09/2007

No Dia do Índio, a Aldeia Tucum, dos índios tupinambá de Olivença, distrito de Ilhéus, amanheceu em festa. Ao ritmo do toré, marcado pelos manacás em punho, os índigenas festejaram a assinatura de um protocolo com a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Estado (Semarh), sinalizando para a construção de um viveiro de mudas de plantas nativas para promover o reflorestamento nas comunidades da etnia, que na região somam mais de quatro mil integrantes. A construção do galpão coletivo vai também permitir o incremento da produção do artesanato indígena e o início de um plano piloto de geração de renda e manejo sustentável, a ser replicado nas diversas aldeias, distribuídas por 72 mil hectares de terra, no sul do estado.


O refrão ""não podemos destruir as coisas da natureza"", entoado pelos membros da aldeia, durante a assinatura do protocolo, resume a proposta das lideranças locais de 'realdear' os povos dispersos, restabelecendo os valores culturais e sociais das comunidades indígenas da região. ""Não dá mais para viver sem sustentabilidade, a questão econômica ainda é muito forte, mas precisamos adequá-la à realidade de que é impossível continuar extraindo da reserva sem renovar os recursos naturais"", afirmou o presidente da Associação de Tupinambás, Cláudio Magalhães. Ele informou que o viveiro voltado para o reflorestamento, deverá conter cerca de 20 espécies de mudas, dentre elas a piaçava, de significativo valor comercial, o açaí, o tento, utilizado na produção de artesanato e o cedro, madeira de reposição no uso sustentável.


Para o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Juliano Matos, as reservas podem se tornar um ativo não só ambiental como econômico. ""Nossa intenção é recompor a tradição do povo indígena, que vive em harmonia e equilíbrio com a natureza"", defendeu. Já o cacique Rosenaldo pediu a colaboração de todos na proposta de resgate dos valores dos povos índigenas. ""Esse clima reflete importância e muita força"", arrematou.


A nova proposta de governo soou bem aos ouvidos de Maturi, ou Manoel Mendes do Amaral, como é registrado civilmente, tupinambá da comunidade de Águas de Olivença, diz que deseja preservar a fauna e a flora remanescentes na região para seus netos e bisnetos. “Quero que eles conheçam a paca, o tatu, o tamanduá e não apenas saibam que existiram”.