Representantes dos índios Tupinambás, do município de Olivença, em Ilhéus, Sul da Bahia, querem a construção de um viveiro para a produção de mudas de espécies nativas da Mata Atlântica, que serão usadas no reflorestamento da reserva indígena e no apoio à fabricação de artesanato em escala comercial. Eles estiveram ontem (27), na Superintendência de Biodiversidade, Florestas e Unidades de Conservação (SFC), da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), para discutir alternativas de renda para 23 comunidades da região.
Para o cacique Tucum, o viveiro permitirá “que as gerações futuras tenham renda assegurada, sem afetar a floresta”. O presidente da Associação Cultural e Ambientalista dos Índios Tupinambá, Cláudio Magalhães, também chamado Tororomba, informou que, inicialmente 35 famílias serão beneficiadas, pela parceria com a Semarh. Segundo ele, hoje elas estão em áreas de risco, vivendo do extrativismo vegetal. “A parceria é uma solução para que o meio ambiente não seja degradado”, complementou.
O grupo foi recebido pelo superintendente da SFC, Marcos Ferreira, que, acolheu a proposta, incluindo-a no rol de ações da Semarh com objetivo de garantir renda para as comunidades tradicionais e preservação da floresta, aproveitando o potencial turístico da região. O índio Bacurau, representante da comunidade Águas de Olivença, vê nos turistas estrangeiros um público garantido. “Gente do mundo inteiro admira nosso artesanato”, declarou.
A Semarh está disposta também a apoiar a criação de uma cooperativa indígena que produzirá vassouras de piaçava. O investimento poderá até dobrar o valor obtido hoje com a venda da matéria-prima do produto pelos índios. Ferreira anunciou que, em 19 de abril, Dia do Índio, fará uma visita à reserva, que abrange os municípios de Ilhéus, Una e Buerarema, a fim de consolidar a parceria.