Ampliar a leitura de livros e fazer deles um artigo de primeira necessidade, implementar a criação de círculos de leitura e fortalecer a infra-estrutura de bibliotecas e arquivos no interior do estado, transformando-os em verdadeiros centros culturais. Estas foram algumas das prioridades apresentadas hoje (5) pelo historiador e antropólogo Ubiratan Castro, ao assumir a diretoria geral da Fundação Pedro Calmon – Centro de Memória e Arquivo Público da Bahia.
Em cerimônia descontraída, no auditório do Palácio Rio Branco, ele recebeu o cargo até então ocupado pelo poeta e editor Claudius Portugal, em cerimônia presidida pelo secretário da Cultura, Márcio Meirelles, com a presença dos diretores das bibliotecas da capital, do Arquivo Público e do Centro de Memória da Bahia.
Segundo Meirelles, o historiador Ubiratan Castro, um dos intelectuais mais importantes da Bahia, com destacada atuação nos movimentos negros, traz à Fundação Pedro Calmon um “olhar negro” sobre a memória da Bahia. O novo diretor pretende que a fundação volte suas atenções para a recuperação da memória histórica, através não apenas da documentação oficial, mas também da herança oral e de outras iconografias que contribuíram para a formação do povo baiano.
Castro salientou ainda que o Centro de Memória deve se dedicar futuramente ao resgate da história de personalidades que contribuíram para a formação e o fortalecimento do estado em todos os níveis. Destacou também a necessidade de se preservar a memória dos terreiros da Bahia, acenando com a possibilidade da criação de um Memorial do Candomblé.
Outra mudança anunciada foi a centralização das atividades literárias da Secretaria da Cultura - ora dispersas por órgãos como a Fundação Cultural e a Superintendência de Cultura - na nova estrutura da Fundação Pedro Calmon. “Queremos livros, muitos livros, às mãos cheias”, enfatizou Castro em seu aplaudido discurso de posse. Para ele, é necessário buscar alternativas para fortalecer a produção literária e lançar edições populares, que possam atingir o maior número de pessoas, ampliando a leitura de livros no estado.
Para a realização dos projetos, Castro disse que “será preciso muito trabalho daqui pra frente, em busca de parcerias, para a captação de recursos, sejam através dos fundos estaduais e federais, ou da participação de entidades privadas e outras organizações, que serão nossos parceiros conscientes desta nova postura da Secretaria da Cultura”.
Breve biografia
Doutor em História pela Université Paris IV-Sorbonne, mestre em história pela Université Paris X-Nanterre, licenciado em história pela Universidade Católica do Salvador e bacharel em Direito pela Universidade Federal da Bahia. Ubiratan Castro de Araújo é membro da Academia de Letras da Bahia e professor da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da Ufba. Foi diretor do Centro de Estudos Afro-Orientais da Ufba, presidente do Conselho para o Desenvolvimento das Comunidades Negras de Salvador e trabalhou até recentemente com o ministro da Cultura, Gilberto Gil, dirigindo a Fundação Cultural Palmares.
Entre os prêmios e títulos que recebeu, destacam-se a Medalha do Bicentenário da Restauração Portuguesa, da Academia Portuguesa de História e o Troféu Clementina de Jesus, da União dos Negros pela Igualdade (Unegro). É autor dos livros: A Guerra da Bahia, Salvador Era Assim. Memórias da Cidade.1 e Sete Histórias de Negro.