Coordenador do Zôo de Salvador participa de expedição na Antártida

Publicado: 26/10/2007 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

O coordenador do Parque Zoobotânico Getúlio Vargas (Zôo de Salvador), Gerson Norberto, foi o único baiano convidado a participar de expedição à Antártida. Médico veterinário, ele e pesquisadores de mais de 12 países integram a equipe do projeto “Mamíferos Marinhos”, como plataformas de monitoramento ambiental de Pólo a Pólo (Meop), inserido no Programa Antártico Brasileiro.


A missão embarcou hoje (26) a fim de coletar dados oceanográficos de alta precisão, através de dispositivos rastreados por satélite implantados em baleias, focas, lobos e elefantes-marinhos da região do Ártico e da Antártica. A idéia é obter, no período de 30 dias, informações das áreas aquáticas com mais de mil metros de profundidade, onde essas espécies animais se alimentam. O estudo desses locais, considerados de alta produtividade, vai viabilizar atividades pesqueiras, a oceanografia e a pesquisa ambiental na região.


O treinamento pré-antártico, para participação de Norberto e dos demais pesquisadores no programa, foi iniciado no último mês de agosto, no Rio de Janeiro. De alta repercussão científica, acadêmica e de integração interinstitucional, as atividades em campo serão realizadas em novembro, com segunda fase em março de 2008.


Gerson Norberto explica que o elefante-marinho é o foco de sua pesquisa. “Vamos estudar as patologias apresentadas por esses animais e o impacto do aquecimento global na variação populacional e na taxa de crescimento da espécie”, disse. A experiência de Norberto com animais marinhos também lhe rendeu a função de diretor de Mamíferos Aquáticos da Sociedade de Zoológicos do Brasil, com mais de 143 zôos associados no país.


A coordenadora do Meop no Brasil, Mônica Muelbert, vê a pesquisa como um grande avanço para estudos de modelagem e dinâmica de massas de água em regiões polares. De acordo com ela, “a iniciativa vai permitir a coleta de dados integrados em alta resolução, durante todo o ano, de áreas ainda hoje pouco amostradas e conhecidas do ponto de vista ambiental”.


Para o secretario de Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia, Juliano Matos, a viagem do pesquisador à Antártida é também um ganho para o estado. “A ida do coordenador abre portas para que outros profissionais baianos se interessem pelo trabalho com animais marinhos e apliquem seus conhecimentos também na costa brasileira”, disse.