Recursos da ordem de R$ 18 milhões serão aplicados em 41 municípios baianos localizados em áreas de alto risco da Doença de Chagas. A ação foi assegurada através de um termo de adesão assinado nesta quarta-feira (10) pelas respectivas prefeituras com a Fundação Nacional de Saúde, através do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC/Funasa). O acordo busca, principalmente, promover melhorias habitacionais, substituindo casas de taipa por construções de alvenaria e tijolo.
O termo de adesão foi assinado em solenidade na Governadoria, com a presença do governador Jaques Wagner, o presidente da Funasa, Francisco Danilo Bastos Forte, e diversos prefeitos das cidades contempladas. Estima-se que, nos 41 municípios, cerca de duas mil famílias sejam agraciadas com melhorias em suas casas, impedindo que o barbeiro, vetor da Doença de Chagas, contamine crianças e adultos em áreas carentes.
As cidades beneficiadas são Baianópolis, Xique-Xique, Barra do Mendes, Urandi, Bom Jesus da Lapa, Tanhaçu, Buritirama, Tabocas do Brejo Velho, Campo Alegre de Lourdes, Sobradinho, Canápolis, Sítio do Mato, Candiba, Sento Sé, Caraíbas, Sebastião Laranjeiras, Carinhanha, São Gabriel, Caturama, São Félix do Coribe, Cocos, Santana, Cotegipe, Presidente Dutra, Curaçá, Pindaí, Feira da Mata, Oliveira dos Brejinhos, Formosa do Rio Preto, Matina, Gentio do Ouro, Mansidão, Ibipitanga, Macaúbas, Ibitiara, João Dourado, Ipupiara, Juazeiro, Ituaçu, Jaborandi e Iuiú.
Para o governador Jaques Wagner, a iniciativa se reveste da maior importância. “Infelizmente, a Bahia é o 21º estado em saúde pública no país. Queremos mudar essa realidade com a melhoria da qualidade de vida das pessoas, levando o estado pelo menos para a sexta posição, já que a Bahia tem a sexta maior economia do país”, declarou.
De acordo com o presidente da Funasa, Francisco Danilo Bastos Forte, as melhorias domiciliares visam diminuir o sofrimento da população que vive exposta à doença, especialmente nos municípios à margem esquerda do rio são Francisco, no caso da Bahia, na fronteira com o Tocantins e o Piauí. “Com a substituição de casas de taipa, verificamos que a Doença de Chagas já sofreu redução de 88% em determinados locais, inclusive na Bahia. Estudos da Organização Mundial de Saúde (OMS) também apontam que 58% das crianças entre 0 e 6 anos de idade morrem vítimas de doenças de veiculação hídrica. Então, devemos estar atentos a tudo isso”, observou Forte.
A prefeita da cidade de Carinhanha, Francisca Alves Ribeiro, demonstrou o seu entusiasmo ao assinar o termo de adesão. “É inconcebível que, em cidades às margens do Velho Chico, ainda existam famílias inteiras com Doença de Chagas, como no meu município. São pais de família com apenas 28 anos de idade e crianças de quatro anos morrendo desse mal. O PAC/Funasa, então, mostra-se como uma forma de mudar tudo isso”, ressaltou, acrescentando que, em Carinhanha, estão sendo pleiteadas melhorias habitacionais em 200 casas localizadas em áreas de maior risco.
Indígenas e Quilombolas
Além de promover melhorias em áreas sujeitas ao aparecimento do barbeiro, inseto vetor da Doença de Chagas, o PAC/Funasa atua também em comunidades indígenas e quilombolas de todo o país. Dos 1000 municípios beneficiados pelo programa em todo o país, 91 estão na Bahia – o estado que, juntamente com o Maranhão, tem a maior comunidade quilombola do Brasil. Essa fatia da população baiana, inclusive, será beneficiada com R$ 11 milhões provenientes de ações do PAC/Funasa. Os 23 mil índios do estado também são alvo de projetos. A Funasa calcula que apenas 56% da comunidade indígena brasileira tem acesso a água tratada e quer elevar essa marca a 90%.
Melhorias habitacionais ajudarão a combater Doença de Chagas
10/10/2007