Representantes das comunidades tradicionais do Cerrado, conhecidas por geraizeiras, membros de organizações não-governamentais (ONGs), ambientalistas e técnicos da Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) fizeram na tarde de ontem (30) um balanço do Encontro do Cerrado Baiano. O evento começou na noite de sexta-feira, em Barreiras.
Sobre os problemas das geraizeiras, da produção de carvão e da expansão da fronteira agrícola, o assessor da Semarh para Biomas, Juracy Marques, afirmou que todas as sugestões vão servir para referendar a construção coletiva de políticas públicas para o meio ambiente na região do Cerrado.
“A Semarh se preocupa com a situação das comunidades tradicionais. Todas as questões, inclusive denúncias de destruição de sítios arqueológicos e ameaças aos ambientalistas, serão encaminhadas para o Ministério Público Estadual”, destacou Marques.
Rogério Mucugê, do Grupo Ambientalista da Bahia (Gambá), disse que o encontro foi muito importante. “Este foi mais um momento oportuno para o governo escutar a sociedade e formular um documento que contemple a fala do povo”, observou. Além disso, informou, Mucugê propôs que as ONGs ambientalistas locais dialoguem não somente com a Semarh, mas com as demais secretarias de Estado. “Agindo assim, os programas desenvolvidos vão ganhar força”, ressaltou.
Para apoiar com oficinas de educação ambiental projetos e ações nos diversos biomas da Bahia, a Semarh já realizou encontros semelhantes sobre a Caatinga (Paulo Afonso), a Mata Atlântica (Salvador) e o Manguezal (Maragogipe). A idéia é que o próximo encontro trate da Chapada Diamantina.
Lagoa Azul e Gruta do Catão
Na manhã do domingo, cerca de 30 técnicos da Semarh e da Secretaria de Meio Ambiente de São Desidério, a 23 quilômetros de Barreiras, além de membros da comunidade local, participaram de visita à Lagoa Azul e à Gruta do Catão. A trilha serviu para o reconhecimento do Cerrado em sua forma nativa, em continuidade às atividades programadas no encontro.
Segundo o coordenador da Semarh em Barreiras, João Bosco da Silva Júnior, a região contempla ainda áreas de transição entre os biomas Cerrado e Caatinga, onde se encontram plantas nativas, como barriguda, aroeira, timbó, tamboril e angico. A equipe percorreu também grutas e outras formações rochosas e de calcário.
Situação das comunidades tradicionais é destaque de encontro sobre o Cerrado
01/10/2007