Fazer da ciência, tecnologia e inovação (CT&I) instrumentos para o
desenvolvimento social e econômico e torná-las tema do cotidiano. Este é o principal desafio enfrentado pelos pesquisadores, professores, representantes da sociedade e lideranças políticas que estão reunidos na II Conferência de Ciência, Tecnologia e Inovação. O encontro começou hoje (12), no Instituto Anísio Teixeira (IAT), em Salvador, e segue até amanhã.
Na solenidade de abertura, o governador Jaques Wagner demonstrou a importância de levar o conhecimento para além das universidades. “O mérito maior desta conferência é o fato dela ter trabalhado com os nossos territórios e hoje aqui não reúne apenas quem milita em ciência e tecnologia, mas também a população, que, afinal, é a maior interessada nesse desenvolvimento”, afirmou.
Para levar a CT&I para o cotidiano, o governo da Bahia trabalha com duas linhas prioritárias: a tecnologia de ponta, representada pelo Parque Tecnológico (TecnoVia), e as tecnologias sociais, simbolizadas pelo Programa de Inclusão Sociodigital (Cidadania Digital).
“A Bahia é o vigésimo estado em inclusão digital e a sexta economia brasileira. Não que sejamos melhores do que ninguém, mas não podemos permanecer atrás de Rondônia e Acre, por exemplo”, declarou o secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira.
O início da implantação do TecnoVia também foi destacado por ele. “O parque tecnológico será um vetor de desenvolvimento da nossa economia, tendo como base a inovação tecnológica. Não queremos apenas atrair empresas internacionais, mas fortalecer o empresariado baiano a partir do fomento à pesquisa e à criação de empresas nascentes”.
Lançamento de editais
Um aporte de R$ 1,5 milhão para o setor de inovação foi garantido na forma de dois editais lançados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb). O termo foi assinado pelo governador, pelos secretários da Segurança Pública, Paulo Bezerra, e de Ciência, Tecnologia e Inovação e pela diretora-geral da Fapesb, Dora Leal.
O Edital para Desenvolvimento de Soluções Inovadoras no Campo das
Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) dispõe de R$ 1 milhão para
financiar projetos de pesquisa que resultem na criação de produtos, processos, métodos ou sistemas que ainda não existam no mercado ou que apresentem características novas em relação aos atualmente usados.
Mais R$ 500 mil serão oferecidos para o financiamento de pesquisas
que possibilitem o desenvolvimento de tecnologias inovadoras e possam ser
aplicadas para a segurança pública, de forma a contribuir para o bem-estar
da população do estado.
Também na manhã de hoje, o presidente da Associação Brasileira dos Centros e Museus de Ciência (ABCMC) e professor da Universidade Federal de Pernambuco, Antônio Carlos Pavão, proferiu a palestra Ciência e Libertação. Ele falou sobre a importância de popularizar a ciência para formar cidadãos, dizendo que o saber não está restrito às universidades e centros de pesquisa.
“Conhecimento não é só aquilo que está nas academias. O camponês e o pescador, por exemplo, têm muitos conhecimentos e nós temos a obrigação de resgatá-los num trabalho de garimpo que precisamos desenvolver”, explicou Pavão.
À tarde, o presidente do Instituto do Sol e pesquisador renomado em biocombustíveis, José Walter Bautista Vidal, falou sobre a necessidade de renovação da matriz energética nacional com foco na biomassa.
Amanhã, os participantes, reunidos em grupos de trabalho, apresentam o
resultado das análises feitas em torno de cinco eixos estratégicos das diversas áreas de conhecimento e farão propostas para a consolidação das diretrizes para a política estadual de CT&I.
Ampliação do acesso aos benefícios da CT&I é destaque em conferência
12/11/2007