Três dias após impedirem uma fuga em massa no Complexo dos Barris, policiais civis conseguiram controlar hoje (6) uma rebelião na custódia da Delegacia de Homicídios (DH), instalada nas dependências daquele complexo. Quarenta e três presos, que iniciaram pela manhã uma “greve de fome”, reivindicando melhores condições na carceragem da delegacia, discutiram o retorno à normalidade com a delegada titular, Inalda Cavalcante, que contou com o apoio de agentes do Centro de Operações Especiais (COE), da Polícia Civil e de integrantes da Rondesp durante a negociação com os custodiados.
Diante da grande concentração de presos da Justiça nas delegacias baianas e das conseqüentes fugas e tentativas, ocorridas recentemente em Salvador e na Região Metropolitana, diretores e assistentes dos departamentos da Polícia Civil, reunidos com o delegado chefe João Laranjeira, solicitaram a imediata transferência desses custodiados para os presídios. “É essencial que haja uma diminuição da população carcerária nas delegacias, para que a Polícia Civil possa desempenhar com eficiência suas atividades investigativas, voltadas ao combate da criminalidade e da violência”, assinalou Laranjeira.
“Mantemos inadequadamente em nossas unidades, sob guarda da Polícia Judiciária, presos cumprindo pena, o que tem exigido de delegados, escrivães e agentes uma vigilância permanente sobre pessoas à disposição da Justiça”, declarou João Laranjeira, ressaltando que os policiais civis são qualificados para identificar criminosos, prendê-los e instaurar inquéritos, “nunca para custodiá-los”.
Esta situação, que perdura há mais de uma década, somente será solucionada, segundo salientou, através de um esforço conjunto da Secretaria da Segurança Pública, com suas duas polícias, da Secretaria da Justiça e Direitos Humanos, do Ministério Público e da Defensoria Pública, dentre outras instituições, para reduzir a concentração de pessoas detidas nas delegacias.
João Laranjeira afirmou ainda que as delegacias de Polícia em Salvador têm, permanentemente, uma média de 300 a 350 custodiados a mais do que sua capacidade. “Prendemos em flagrante, somente na capital, uma média de dez pessoas/dia e cerca de 28 nos finais de semana”, informou.
Controlada rebelião na Delegacia de Homicídios
06/11/2007