SBPC quer ampliação de investimentos em pesquisa no Nordeste

28/11/2007

As discussões em torno do fortalecimento dos investimentos de pesquisa e desenvolvimento na região Nordeste deram o tom da abertura da 1ª Reunião Regional da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), realizada, ontem (27), no Vale do São Francisco, em Juazeiro. O evento reúne até sexta-feira pesquisadores, estudantes de graduação e pós-graduação, professores dos três níveis de ensino e profissionais de diversas áreas.

O evento consta de uma extensa programação, que inclui seis conferências, 18 mesas-redondas, 15 minicursos e quatro oficinas, que acontecem nos campus de Juazeiro e Petrolina da Universidade do Vale do São Francisco (Univasf).

Na abertura do encontro, o presidente da SBPC, Marco Antônio Raupp, destacou que a realização da reunião no interior da Bahia e de Pernambuco foi estratégica, justamente porque as discussões em torno da Ciência e Tecnologia (C&T) devem abranger localidades que até então não estavam inseridas neste contexto.

“A incorporação dessas regiões que, historicamente, não recebem investimentos em C&T é uma ação necessária. O esforço para retomada do desenvolvimento do país não pode estar centralizado”, declarou Raupp.



"Velho Chico"



Como o tema central é "Água: abundância e escassez", a questão do São Francisco também ganhou destaque. Para o Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação da Bahia, Ildes Ferreira, “é preciso uma ação integrada, que revitalize o rio ao mesmo tempo em que distribua seus benefícios para a população mais carente da região do semi-árido”.

Ferreira acredita no potencial energético de rios perenes e sugeriu a implantação de micro e pequenas centrais hidroelétricas para alavancar a economia rural. “Durante muitos anos, a Bahia não teve uma política pública voltada para o desenvolvimento das regiões mais afastadas da capital e, por isso, possui um dos piores índices de eletrificação rural entre os demais estados da federação, ficando na ordem dos 55%. Em estados como Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, este índice atende a 85%”, completou.

O pesquisador da Ufba, Ednildo Torres, destacou que pequenas centrais hidroelétricas poderiam ser implantadas nas regiões sul e oeste da Bahia. “Estas centrais teriam a capacidade suficiente para suprir a demanda de vilas, cooperativas e assentamentos rurais”, disse. Ele também acredita que a renovação da matriz energética da Bahia poderá acontecer com a inserção de energias alternativas, como a eólica e solar, além dos biocombustíveis.