Para os 25.280 mil estudantes do Universidade para Todos, estudar para o vestibular foi mais do que aprender fórmulas, regras e raciocínio lógico. Eles conheceram de perto como a história e a cultura afro-brasileira influencia a sociedade. Isso foi possível com a inclusão da História e Cultura Afro-brasileira e Africana na grade curricular. Essa foi um das mudanças no pré-vestibular gratuito do governo do Estado no ano de 2007, além da distribuição mais justa das vagas entre os municípios e efetivação do Portal Universidade para Todos (www.universidadeparatodos.uneb.br).
As iniciativas foram avaliadas durante o seminário que reuniu no Instituto Anísio Teixeira (IAT), estudantes, coordenadores e professores do projeto. “O encontro foi importante para avaliar as ações desenvolvidas no Universidade para Todos em 2007, e sinalizar com propostas de melhoria para o planejamento de 2008”, disse Gelcivânia Mota, coordenadora de Educação Superior da Secretaria Estadual da Educação (SEC). Ela destaca que a grande maioria dos estudantes é afro-descendente, por isso ao incluir a temática da História e Cultura Afro-brasileira e Africana, o projeto ajudou a elevar a auto-estima, desconstruindo estereótipos, combatendo o preconceito e a discriminação racial. “Há uma grande carência de informação histórica e cultural a respeito do valor da comunidade africana na construção da sociedade brasileira, o que só contribui para perpetuar distorções”, defende.
O pré-vestibular gratuito do governo do Estado, criado em 2003, só este ano teve concluída uma pesquisa com dados sobre as demandas e necessidades de quem é atendido pelo projeto. Os dados serão objetos de uma publicação que servirá como mais um instrumento de discussão entre os envolvidos. Como parte das ações para o próximo ano, a coordenadora Gelcivânia Mota, adianta que o projeto terá novas práticas. “Mais do que a pesquisa, queremos intensificar o processo de avaliação do projeto,
tornando-os permanentes e periódicos”. Dentre as medidas de aprimoramento estão a reavaliação dos módulos, a reformulação do processo de seleção dos monitores e a intensificação da formação continuada dos monitores.
No Portal do projeto, acessível pelo endereço www.universidadeparatodos.uneb.br, estão disponíveis informações sobre faculdades, módulos organizados por disciplinas, simulados, questões com resoluções comentadas, guia de profissões, espaço para tira-dúvidas e notícias educacionais. O portal é acessível a todos, inclusive aos 2.500
estudantes das 19 cidades que passaram a integrar o projeto, graças a critérios mais objetivos na distribuição das vagas.
Este ano, o Universidade para Todos esteve presente 72 municípios, sendo 32 cidades onde há campus de universidade estadual e mais 40 em que houve convênio com as prefeituras. As vagas foram distribuídas em municípios que distam até 100 km de um campus universitário, possuam escolas de nível médio e a Prefeitura tenha assumido a responsabilidade pelo transporte dos professores e monitores. A partir desses critérios, puderam participar do projeto de forma integral municípios que entravam no projeto arcando com todos os custos, e outros que nunca haviam sido contemplados. Todos os municípios receberam módulo e fardamento financiados pelo governo.
A tentativa de levar o projeto a um número maior de localidades, e ainda reforçar a qualidade do curso com novas temáticas e recursos pedagógicos, visa a diminuir os índices de evasão registrados no último ano. Mais da metade das turmas (51,8%) registraram evasão entre 30% e 50%. E outro percentual expressivo de turmas (25,9%) superou esse índice de 50% de evasão entre os estudantes. As iniciativas também atendem ao perfil dos estudantes: 85% são pardos ou negros, 79% vêm de famílias com renda de um a três salários mínimos, cujos pais não possuem nível superior, e 81% nunca puderam cursar um pré-vestibular anteriormente.
O Universidade para Todos já atendeu quase 100 mil estudantes, todos oriundos da escola pública. O projeto é realizado em parceria com as quatro universidades estaduais (Uneb, Uesb, Uefs, Uesc) e conta ainda com concurso de redação sobre o tema “Como construir uma Bahia de Todos Nós?”, orientação profissional e a isenção de 50% na taxa de inscrição nos vestibulares das universidades estaduais para estudantes com mais de 75% de freqüência. “O Universidade para Todos busca assegurar o maior
acesso dos estudantes à educação superior, mas, mais do que isso, é um projeto de ação social, onde os estudantes resgatam a auto-estima e a criatividade, e se percebem capazes de conquistar seu espaço na sociedade”, destaca Gelcivânia Mota.
2007: Universidade para Todos inclui temática afro-brasileira na grade curricular
30/12/2007