Ato ecumênico homenageia incentivadores da doação de órgãos

19/12/2007

Profissionais e instituições que se destacaram este ano pelas ações de incentivo à doação e ao transplante de órgãos foram homenageados, hoje (19), em solenidade na Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). Foram entregues seis troféus e 39 certificados de “Amigo do Transplante”. O cardeal Dom Geraldo Majella Agnello, Arcebispo Primaz do Brasil, e o secretário da Saúde da Saúde do Estado, Jorge Solla, participaram de um ato ecumênico de Natal, que teve apresentação do coral do Lacen (Laboratório Central do Estado).


O secretário falou sobre sua satisfação por participar de um momento de confraternização e também por concluir o ano com muitos resultados positivos, inclusive na área dos transplantes. Ele lembrou que o número de doações de múltiplos órgãos este ano triplicou em relação ao ano passado, e lembrou que a atividade de transplante depende de um esforço coletivo de vários setores e atores.


A interiorização das atividades de transplantes foi uma das conquistas apontadas pelo secretário. “Pela primeira vez tivemos captação de órgãos em outros municípios, como Barreiras e Feira de Santana”, falou Solla, que também destacou a importância da inclusão, nas escolas de medicina, de módulos sobre transplante. “Os cursos médicos não preparam os profissionais para as atividades de transplante, mas agora estamos atuando nas universidades”, disse, acrescentando que o apoio das instituições religiosas também deu um grande impulso à área.


O médico Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplante, falou sobre o engajamento de Dom Geraldo Majella no trabalho de incentivo à doação de órgãos, lembrando o lançamento, em agosto deste ano, da campanha Bom Samaritano. “A campanha, de grande importância para alavancar o número de doações, mudou o perfil da Igreja Católica em relação à doação”, revelou.



Vários credos



Ao receber, do secretário, o troféu “Amigo do Transplante”, o cardeal desejou que o Natal toque o coração das pessoas e disse que “Deus espera de nós darmos não o que nos sobra, mas o que temos no coração. Devemos pensar que além da própria morte, mesmo depois da morte, podemos partilhar e doar. A doação de órgãos é isso, é um ato de amor”.


Dom Geraldo Majella lembrou ainda o gesto da família do diácono José Sérgio Fontes, que morreu em junho deste ano, vítima de agressão. O diácono já havia declarado sua disposição em ser doador de órgãos e a família atendeu seu desejo. “Mesmo sofrendo uma agressão, o diácono teve um gesto de amor”, pontuou o Cardeal.


Além da Igreja Católica, outras religiões tiveram participação no ato ecumênico, a exemplo da Seicho-No-Iê, representada por José Carlos, que também classificou a doação de órgãos como um ato de amor e disse que “quando temos amor, ele deve beneficiar muitas pessoas”.


Em nome da Igreja Pentecostal, Roberto Santos lembrou “aquele que deixou nosso mundo para doar a vida” e convocou aqueles que ainda não se dispuseram, a se tornarem também doadores. O médico oftalmologista Rui Cunha, representante do segmento evangélico, garantiu que “se tivermos o amor no coração, acabaremos com as longas filas de espera para transplante de órgãos”.