Termina sexta-feira (7) a programação do I Encontro Estadual de Organizações Indígenas, que integra as atividades da Semana de Direitos Humanos, promovida pela Secretaria de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH). Iniciado segunda-feira (3), no Hotel Belmar (Jardim de Alah), o seminário é uma parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), com o objetivo de capacitar agentes comunitários de organizações indígenas.
Sexta-feira serão premiados os vencedores do Prêmio Iniciativas Culturais Indígenas, concurso público realizado pela Secretaria de Cultura da Bahia (Secult), via Fundação Cultural do Estado (Funceb), com a colaboração da SJCDH. No ato simbólico, às 14h, serão entregues certificados aos projetos premiados.
O Prêmio Iniciativas Culturais Indígenas foi o primeiro edital lançado para a valorização da cultura dos povos indígenas da Bahia, buscando a preservação das tradições das diversas etnias existentes no estado. Foram selecionados dez projetos de oito municípios baianos, entre eles Ilhéus, Santa Cruz Cabrália, Paulo Afonso e Glória. Cada selecionado receberá R$ 10 mil, totalizando R$ 100 mil em prêmios.
Segundo o coordenador executivo de Políticas para os Povos Indígenas da SJCDH, Jerry Matalawê, pela primeira vez os povos indígenas são reconhecidos e premiados por serem índios. “Isso motiva as comunidades. Antes muitos índios precisavam se esconder e hoje são contemplados pelo Estado”, destacou.
“Criamos um mecanismo de fomento específico para os povos indígenas, importante para que essas comunidades não deixem de praticar suas antigas tradições", comentou Lorena Coelho, assessora de Cultura Popular da Secult. “Além dos prêmios em dinheiro para a execução dos projetos, os selecionados também receberão um certificado, com o qual podem requerer outras formas de garantia e apoio”, completa a assessora de projetos da Fundação Cultural, Giuliana Kauark.
Projetos Premiados
Um dos projetos selecionados pelo Prêmio Iniciativas Culturais Indígenas prevê a produção de um CD do Grupo Ihixú Xõhã Suniatáirá Iõp Pahãtê, de uma escola situada na aldeia Coroa Vermelha, em Porto Seguro. Com a participação de adolescentes de 15 a 18 anos, o disco terá músicas compostas pelos próprios alunos, moradores de diversas comunidades indígenas que existem na região.
"O que arrecadarmos com as vendas do CD será revertido para melhorias na própria escola", diz Amílton Alves dos Santos, presidente do conselho escolar da aldeia Coroa Vermelha e responsável pelo projeto. O grupo se apresentará na solenidade de entrega dos certificados de premiação do edital.
Ainda na região sul do estado, o edital selecionou o projeto para Documentação e Pesquisa da Cultura e Língua Pataxó. Moradora da aldeia Pataxó da Jaqueira, Jocélia Alves dos Santos, de 33 anos, cujo nome indígena é Jandaia, explica que a intenção é concluir um trabalho já em curso de recuperação da língua Patxôhã, falada pelos antigos pataxós. "Tudo começou há nove anos, quando notamos que a língua Patxôhã estava desaparecendo. Mesmo sem apoio, iniciamos um trabalho de pesquisa com os mais velhos, que relembravam das palavras. Desse jeito, já catalogamos 3 mil verbetes", diz Jandaia.
Com 827 hectares de mata virgem e 70 habitantes, a aldeia Pataxó da Jaqueira aproveitou o trabalho com a língua para recuperar outras tradições praticamente esquecidas. "Tínhamos esquecido vestimentas e a pintura, por exemplo. Conseguimos recuperar muita coisa. Com o dinheiro do edital poderemos continuar esse trabalho tão importante para nós", conclui Jandaia.
Selecionados
A Festa do Amaro (Pankararé)
Feira Cultural Indígena Kaimbé
Produção e Comercialização do Artesanato Indígena Pankararéfeito com Croá de Aldeia Ponta d'água
Resgate Cultural (Pataxó Hã Hã Hãe)
Atividades de Documentação e Pesquisa da Cultura e LínguaPataxó
Artesanato Tupinambá
Produção de CD (Pataxó)
Revitalização das Práticas Esportivas e Culturais do Povo Pataxó
Coletânea de Músicas e Narrativas sobre o Rio São Francisco na vida dos indíos Tuxá
Vestes Tradicionais do Povo Kiriri