Com a apresentação pela primeira vez em Salvador da Marcha Alfama, campeã do Desfile de Marchas Populares de Lisboa, a capital baiana acabou antecipando nesta quarta-feira (5) o clima de confraternização por conta da programação especial de comemoração dos 200 anos da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, prevista para janeiro. “Foi interessante ver os traços semelhantes da nossa escola de samba com as quadrilhas juninas”, declarou a turismóloga Ticiana Santos, que assistiu a marcha.
O desfile, na Praça Municipal, está entre as atividades de Salvador como Capital Lusófona da Cultura, título concedido em 2006 pela União das Cidades Capitais de Língua Portuguesa (UCCLA). A cada dois anos, a instituição escolhe uma cidade para sediar o título. A próxima eleição será em março, em Angola.
A Secretaria da Cultura e Turismo, através da Fundação Pedro Calmon, já está fechando, com os demais órgãos governamentais e não-governamentais envolvidos, os últimos detalhes da programação de janeiro das comemorações do Bicentenário da Chegada da Família Portuguesa. “As atividades vão se concentrar entre o dia 26, data da chegada da Esquadra Portuguesa, e 28, dia da assinatura da carta-régia da Abertura dos Portos”, explicou o presidente da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, que integra a comissão executiva que está à frente da programação.
O Estado, através do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), já está fazendo o restauro do Obelisco, monumento em frente ao Palácio da Aclamação erguido por conta da vinda da Família Real para o Brasil. Além da apresentação da marcha portuguesa, outros eventos também marcam este mês as atividades finais de Salvador como capital lusófona e, ao mesmo tempo, o início da programação festiva do bicentenário, a exemplo da exposição Máscaras em Portugal, no Gabinete Português de Leitura, e a exibição do filme Fados, na Sala Walter da Silveira e na Câmara Municipal.
“O Estado, e o particularmente o governador Jaques Wagner, está empenhado na organização dos eventos comemorativos também pelo que eles representam na integração entre os povos”, afirmou o chefe de Gabinete, Fernando Schimit, que representou o governador no evento. Wagner preside a comissão organizadora das comemorações, que estão sendo definidas em parceria com o Consulado Português.
Em 2006, quando Salvador foi eleita a Capital Lusófona da Cultura, artistas baianos participaram de confraternizaram idêntica em Portugal. Uma das apresentações foi da cantora Daniela Mercury. Hoje, após a apresentação da marcha portuguesa, na Praça Municipal, uma fanfarra de Simões Filho, o Cortejo Afro e os Filhos de Gandhi, também exibiram aos portugueses o resultado de miscigenação cultura de Salvador. “Já estive na Bahia antes, mas fiquei muito feliz com esta oportunidade de mostrar aos baianos a nossa marcha campeã e conhecer as belas manifestações culturais daqui”, disse Cinha Jardim, uma das integrantes da Marcha Alfama.