Um total de R$ 153 milhões serão investidos pelos governos estadual e federal na reforma e construção de escolas da rede estadual de ensino. O anúncio foi feito, hoje (18), durante debate sobre projeto de revitalização dos 1756 estabelecimentos, realizado no Hotel Vila Velha, quando o secretário da Educação, Adeum Sauer, informou ainda a continuidade, em 2008, do mutirão para pequenos reparos em 500 unidades – 300, em Salvador, e 200, no interior, iniciando com 50 escolas no Subúrbio Ferroviário. Na primeira etapa, já concluída, foram beneficiadas 50 escolas da capital.
Segundo o secretário, o governo federal repassou, este mês, R$50 milhões para a reforma e vai liberar outros R$50 milhões, em 2008. Estes recursos serão investidos na infra-estrutura de 498 escolas. Para a construção, o governo do estado liberou R$53 milhões. O encontro reuniu gestores, professores, pais, estudantes e a própria comunidade.
Para o secretário, mais que investir em infra-estrutura e projeto pedagógico é fundamental trazer a comunidade para dentro da escola. “A proposta é discutir com ela as condições de funcionamento e as prioridades para que a escola funcione melhor. Em parceria faremos planos de intervenções de infra-estrutura, pedagógico, de gestão e pessoal”, explicou a superintendente de Acompanhamento e Avaliação do Sistema Educacional, Eni Bastos.
Um passo dado nesse sentido foi a realização dos mutirões, quando a comunidade escolar e circunvizinha ajudaram a fazer pequenos reparos nas unidades. “O projeto de revitalização vai além da reforma física. Nosso compromisso é com o aprendizado. Entretanto, para que isso ocorra da melhor forma é fundamental que os estudantes estejam satisfeitos com o ambiente onde estão inseridos”, afirmou Sauer.
Ele destacou ainda que é preciso crescer a idéia de pertencimento da comunidade com relação a escola e vice-versa para que a escola seja preservada. Foi movido por este espírito de cooperação que o estudante do Colégio Alberto Valença, no bairro de São Gonçalo, André Silva dos Santos, 15 anos, juntou-se aos colegas e pais para pintar o pátio e consertar a quadra. Além disso, viu a escola ganhar um laboratório de informática e a biblioteca revitalizada.
“Todos perceberam a mudança, a escola ficou mais bonita. Acho que o fato de termos colaborado ajudou na conscientização da necessidade de se preservar”, disse André. Mesmo atendendo a uma clientela exclusivamente de jovens e adultos, que normalmente se divide entre a escola e o trabalho, no Colégio Estadual Zelma Gomes Parente de Barros, os estudantes não desanimaram e arregaçaram as mangas para dar uma nova cara à escola.
“Eles lixaram e pintaram as paredes, limparam as salas, a escola ficou melhor. Percebemos que é uma coisa fácil de fazer e, quando se quer, realmente consegue”, conta a diretora Cláudia Cristina de Souza..
As próprias experiências têm mostrado que, quando a comunidade participa, ela passa a se sentir responsável pelo bem público. E, com os alunos não é diferente. Eles acabam incorporando o papel de fiscais e passam a zelar pela escola. “A pintura estava desgastada e nós recuperamos, consertamos o alambrado da quadra e o telhado. Nosso objetivo na escola é o aprendizado, mas também uma escola organizada e motivada. E quando somos nós mesmo que contribuímos para a mudança, passamos a nos sentir responsáveis pelo patrimônio público”, disse o aluno do 1º ano do Colégio Estadual Márcia Meccia, Diógenes da Silva Santos, 17 anos.
Para o diretor do colégio, Walfram Santos, que sempre buscou cultivar boas relações com a comunidade e atraí-la para dentro da escola, a ação da secretaria só veio fortalecer essa parceria. “Conseguimos unir pais, estudantes e comunidade em torno de um único objetivo”, enfatizou.
R$ 153 milhões serão investidos para reforma e construção de escolas
18/12/2007