A exibição gratuita do documentário musical Fados, amanhã (6), às 20h, na Sala Walter da Silveira (Barris), integra a programação baiana do bicentenário da chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, que reunirá uma série de atividades de aproximação cultural entre Brasil e Portugal. O filme do cineasta espanhol Carlos Saura mostra a trajetória do Fado, ritmo português que mistura, em sua composição, influências brasileiras, lusitanas e africanas.
Carlos Saura é uma referência em filmes desse estilo. São dele também Tango (1998), Bodas de Sangue (1981), Carmen (1983), Amor Bruxo (1986), a partir da obra musical de Manuel de Falla e a participação do mítico Antonio Gades, e Flamenco (1995), completando a trilogia das canções urbanas do século XX. Fados é um filme-concerto, um conjunto de números musicais, expostos em quadros autônomos, cada um com princípio e fim.
Fazem parte do elenco, os atores/cantores Carlos do Carmo, Mariza, Argentina Santos, Camané, Carminho e os guitarristas Ricardo Rocha e Fontes Rocha, que se entrelaçam também com vozes de artistas mundiais como os brasileiros Caetano Veloso, Toni Garrido e Chico Buarque, as cabo-verdianas Cesária Évora e Lura, a mexicana Lila Downs, o intérprete de Flamenco Miguel Poveda e os portugueses Kola San Jon, Júlio Pereira, Rui Veloso, além dos rappers NBC e SP&Wilson, Brigada Vitor Jara, e Catarina Moura.
Segundo Saura, o Fado surgiu no Brasil, apesar de ser um gênero de atavismo português, numa mistura de modinha européia com lundu africano (ritmo musical criado a partir dos batuques dos escravos africanos trazidos ao Brasil). “É interessante mostrar como Portugal e África se misturam no Brasil, com um resultado cultural interessante”, afirma o cineasta.
No filme, Chico Buarque canta “Fado Tropical”, gravado com o diretor e historiador Ruy Guerra, em Madri. Caetano Veloso interpreta “Estranha Forma de Vida”, famoso na voz de Amália Rodrigues. Mas é Toni Garrido que abre o filme “Fados”, interpretando “Menina, o que Tens?”, um lundu de autor desconhecido. A história se passa na época do refúgio da família real portuguesa ao Brasil, por causa das tropas de Napoleão Bonaparte, quando o Fado teria nascido, segundo alguns historiadores.
As atividades em comemoração aos 200 anos da chegada da Família Real ao Brasil são promovidas pelas secretarias estaduais de Turismo (Setur), de Cultura (Secult) e a Fundação Pedro Calmon, além da Secretaria Municipal de Relações Internacionais (Secri), Fundação Gregório de Matos e Emtursa.