Secretarias fazem ação de prevenção à tuberculose

04/12/2007

A tuberculose tem cura, mas pode levar à morte se não for devidamente tratada. Hoje (4), durante o Dia de Mobilização Contra a Tuberculose em Salvador, os soteropolitanos contaram com uma ação das secretarias de Saúde do Estado e município a fim de conscientizar e difundir os riscos e a cura da doença. Foram montados estandes na Praça da Piedade onde enfermeiros e equipe técnica atenderam ao público.


As Voluntárias Sociais da Bahia, parceira no combate à doença, distribuiu mil pratos de sopa durante o dia. A instituição é apóia a iniciativa e trabalha no reforço alimentar dos pacientes, principalmente nos bolsões de pobreza. Com esse fim, a sopa é distribuída nos dois albergues de Salvador e em outras 12 comunidades da capital.


Os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia estão no topo do ranking em número de registros da doença. A Bahia ocupa a terceira posição em nível nacional, com sete mil casos registrados nos últimos anos. Este ano, uma mudança na metodologia de registro atrasou o levantamento, mas já se contabilizou três mil casos. Para implementar o combate À doença a Secretaria de Saúde (Sesab) criou o Fórum Baiano de Combate à Tuberculose.


A coordenadora estadual de controle da tuberculose, Rosângela Palheta, afirmou que um dos grandes problemas é o fato de os pacientes abandonarem o tratamento antes de completar o período de seis meses – tempo necessário para alcançar a cura. “Cada paciente doente é capaz de infectar de 10 a 15 pessoas por ano”, alertou.


A tuberculose é uma doença de transmissão aérea. Quando um doente espirra, ele contamina o ar e quem estiver próximo aspirando esse ar. Os principais sintomas são tosse forte por mais de três semanas (muitas vezes com secreções e até sangue), perda de apetite, dores nas costas, febre fraca à tarde e sudorese excessiva à noite. Quem se deparar com esses sintomas não deve hesitar e procurar logo um médico para iniciar o tratamento. Os medicamentos garantem mais de 90% de cura se forem usados corretamente, durante seis meses, sem interrupções.


Em Salvador, são cerca de 2,4 mil a três mil novos casos por ano e 120 mortes anuais – 40% dos tuberculosos baianos residem na capital. O abandono do tratamento é um aliado da persistência da doença entre a população.


"A tuberculose é uma doença tipicamente urbana, ligada às grandes aglomerações, às moradias insalubres e alimentação inadequada", afirmou a sanitarista Ana Luísa Itaparica. De acordo com Ana Luísa, 1/3 da população brasileira tem o bacilo, mas a doença não se manifestou.


A doença é detectada pelo exame de escarro, tecnicamente conhecido como baciloscopia, ou por raios-X. O tratamento é realizado em unidades básicas de saúde já existentes em cerca de 85% dos municípios baianos – há 100 delas em Salvador. Na capital, os pacientes também contam com o Hospital Especializado Octávio Mangabeira, uma referência no tratamento da doença, no bairro de Pau Miúdo.


Na Bahia, 25 municípios são considerados prioritários no combate à tuberculose. São cidades que concentram 70% do total de casos do estado, como Lauro de Freitas, Candeias, Camaçari e Simões Filho (na região metropolitana), além de Itabuna, Ilhéus, Porto Seguro e Valença – municípios litorâneos e bastante visitados por turistas.