Enquanto as máquinas cuidam da demolição do que restou do antigo clube Português, na Pituba, o Governo do Estado vem construindo casas para abrigar as 85 famílias do Movimento dos Sem Teto de Salvador que ocuparam o local por quase cinco anos. Vinte e duas famílias ganharam casa própria em um novo conjunto habitacional no Dique do Cabrito, entre os bairros de Pirajá e Coutos.
Há quase uma semana, desde que se mudou na última sexta-feira, dia 28, Rosa Gonçalves, 42 anos, já pode dormir tranqüila. A desempregada e o filho Pablo, 5 anos, comemoram a nova moradia com dois quartos, cozinha, banheiro e quintal. Ambos vivem apenas com os R$90 reais do Bolsa Família e há quase cinco anos ocupavam o espaço no antigo clube por falta de opção. “Foi uma maravilha, estou muito satisfeita e mais tranquila. Lá, não era uma moradia digna para uma mãe de família. È muito bom viver no que é seu”, afirmou Rosa.
No local há energia elétrica, sistema de abastecimento de água e em volta um grande dique que vem sendo urbanizado para o lazer da população do bairro. Dona Dejacira Lima, de 67 anos, vai morar com dois filhos e três netos. Da aposentadoria, de apenas um salário mínimo, ela vai separar uma taxa de aproximadamente 38 reais para repassar à Conder, responsável pelas obras do Conjunto do Dique do Cabrito. A aposentada não tinha condições de pagar aluguel e por isso ocupou o Português por quase cinco anos. Ela conta que foi uma luta, mas enfim veio a bênção: “Ocupávamos o lugar dos outros porque não tínhamos o nosso, mas aqui é bem melhor. Veio na hora certa.”
A coordenação do Movimento dos Sem Teto de Salvador definiu com os moradores que ganhariam as casas do novo conjunto habitacional os ocupantes mais antigos. 31 famílias que viviam no antigo clube da Pituba há menos tempo foram abrigadas em um acampamento do MSTS na Cidade Baixa até que fiquem prontas as novas unidades habitacionais que o Governo do Estado vai construir com recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social, o FNIS.
Segundo Maria Del Carmem, presidente da Conder, o projeto para construção de 400 moradias na avenida Assis Valente, no bairro de Cajazeira, depende apenas da aprovação do Ministério das Cidades.
Entre dezembro de 2006 e janeiro de 2007, o Estado remanejou as outras 32 famílias do antigo clube para o Conjunto Vila Valéria, no bairro de Valéria. A demolição do Português teve início no dia seguinte à desocupação do imóvel, ocorrida pacificamente na sexta-feira, 28 de dezembro de 2007, com o apoio de funcionários e caminhões de mudança e carros oferecidos pela Conder, órgão ligado à Secretaria de Desenvolvimento Urbano. Na área, pertecente à prefeitura de Salvador, será construída uma praça.