O sisal, a bioenergia e a criação de ovinos, caprinos e bovinos podem ser os Arranjos Sócio-Produtivos (ASP’s) capazes de modificar a realidade econômica e social do semi-árido. Este foi o enfoque do estudo apresentado, hoje (10), no auditório da Secretaria do Planejamento (Seplan), pelos secretários Ronald Lobato do Planejamento, e Ildes Ferreira, de Ciência, Tecnologia e Inovação.
De acordo com Lobato, promover o desenvolvimento econômico com democracia e inclusão social no semi-árido é prioridade territorial do plano de desenvolvimento do estado. “Representando 68,5% do território e mais de 45% da população do estado, a região carece de infra-estrutura e logística”, afirmou.
Ele informou que uma das ações previstas no plano de governo é incorporar o sisal aos 10 arranjos previstos na parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), com aporte de US$ 16,6 milhões, sendo US$ 10 milhões financiados pela instituição e o restante da contrapartida do Estado.
Segundo Ferreira, o potencial do sisal é enorme e estudos de viabilidade devem ser ampliados. “Aproveitamos apenas 5 ou 6% do sisal e os novos usos, como a construção de mesas e cadeiras, possibilitam ampliar a demanda para até 1,6 toneladas e mudar a realidade de inúmeras famílias”, enfatizou.
Outro destaque na apresentação dos secretários foi a possibilidade de expansão da bovinocultura no estado. Eles explicaram que as criações de bovinos estão migrando para outras regiões, em função da expansão do cultivo de cana-de-açúcar para a produção de etanol no sudeste. “Aproveitar esta oportunidade para substituir a criação extensiva pela intensiva, na Bahia, seria um excelente salto de qualidade”, comentou Lobato.
Diferença de conceitos
Na sua opinião, a diferença entre os termos Arranjos Produtivos Locais (APL’s) e Arranjos Sócio-Produtivos é uma questão de foco. “As APL’s passam a idéia de fortalecimento da atividade empresarial por meio de práticas competitivas e sustentáveis, sem implicar em inclusão social, o que não ocorre com os ASP’s, pois incorpora a sociedade civil organizada como protagonista do próprio desenvolvimento”, destacou o secretário.
Além da atenção à agricultura familiar pelos Arranjos Sócio-Produtivos, as ações coordenadas pela Secti, em parceria com a Seplan, articulam diversos instrumentos de apoio empresarial em mais de 200 municípios. Com a parceria do Sebrae-Ba, Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb) e BID reuniu-se várias empresas, principalmente micro e pequenas, de uma região específica, trabalhando numa mesma atividade produtiva e que possuem algum vínculo de articulação e cooperação entre si.
Iniciado em dezembro de 2007, e com prazo de carência de 30 meses, atualmente estão vigentes 10 arranjos produtivos - automotivos, confecção, TI, rochas ornamentais, caprinoovinocultura, fruticultura, turismo, derivados da cana de açúcar, plástico e piscicultura.