Pesquisadores e gestores públicos baianos estão articulando a criação de um estudo multidisciplinar da Baía de Todos os Santos (BTS). Reunidos ontem (9) na Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado da Bahia (Secti), representantes de diversas universidades, centros de pesquisa e órgãos governamentais debateram os eixos mobilizadores do estudo, cuja proposta é envolver projetos de pesquisa com características técnico-científicas que ajudem a preencher as lacunas de informações sobre este ecossistema. O estudo está sendo fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).
A Baía de Todos os Santos engloba 14 municípios e 52 ilhas. Possui um território de 800 hectares, que começa no Farol da Barra (Salvador) e vai até a Ponta dos Garcês, no município de Jaguaripe. De acordo com a gestora da APA Baía de Todos os Santos da Semarh, Daniela Blinder, a BTS é uma unidade de conservação de uso sustentável, criada por decreto. “Esta categoria permite que sejam realizados diversos usos como turísticos, habitacionais e industriais, porém de forma sustentável”, frisou. Daniela acredita que este estudo poderá viabilizar um plano de manejo para a área, uma espécie de diagnóstico com o objetivo de criar um zoneamento. “Tudo o que for desenvolvido nos eixos temáticos permitirá zonear os diversos usos da Baía, possibilitando um planejamento territorial mais eficiente e sustentável”, completa.
Para o diretor científico da Fapesb, Robert Verhine, um desafio para o sucesso do estudo será a captação de recursos. “O governo da Bahia tem cumprido seu papel no aporte de recursos para apoiar a realização de pesquisas, mas nossa base acadêmica ainda precisa captar verbas de outras fontes, sejam elas federais ou privadas”, disse. Verhine explica que o caráter multidisciplinar do estudo pode ser um fator que potencialize o aporte de investimentos. “Estamos levando em conta não apenas o meio ambiente, mas também a questão social, empresarial, educacional e cultural”, explica.