O jornalista Emiliano José foi eleito presidente do Conselho Estadual de Cultura (CEC). Escolhido por unanimidade pelos conselheiros, terá como vice o professor Albino Rubim, coordenador do Centro de Estudos Multidisciplinares em Cultura da Faculdade de Comunicação da Ufba.
A nova presidência vai conduzir o processo de transição do Conselho, que terá mais poder de influência sobre as políticas públicas da Secretaria de Cultura da Bahia. Para isso, o primeiro passo é a reformulação de seu atual regimento interno, com a reestruturação de seu papel e a ampliação de suas atribuições. A idéia é fortalecer essa entidade, de forma a intensificar o diálogo do governo com a sociedade.
“Precisamos, em pouco tempo, dar ao Conselho as condições de ser um ator efetivo na condução da política cultural do Estado. Temos de ser capazes, com a nossa diversidade, de contribuir decisivamente para este novo momento político que tem um grande impacto no cenário cultural”, afirmou Emiliano José.
“O que queremos construir passa por uma relação nova do Conselho com a Secretaria de Cultura e com a sociedade”, reforçou Albino Rubim, defendendo a intensificação das discussões e do diálogo sobre as políticas culturais.
Para o secretário de Cultura, Márcio Meirelles, que abriu a reunião, o Conselho deve ser capaz de fazer a transição para um novo modelo, mais participativo. “O Conselho tem que dar respostas à sociedade”, afirmou, retomando a orientação dada pelo governo no ano passado de que é preciso “trocar o pneu com o carro andando". Para Meirelles, a eleição de Emiliano José para encaminhar esse processo de transição se insere dentro desse espírito.
O Conselho
A eleição para a presidência do Conselho aconteceu na quarta-feira (09) à tarde. Uma das principais funções do CEC é contribuir para o desenvolvimento da política estadual de cultura. Entre as competências também estão a de propor medidas para estímulo, valorização da cultura e proteção dos bens culturais baianos, além de opinar sobre tombamento e restauração de imóveis, entre outros temas.
O Conselho de Cultura foi empossado pelo governador Jaques Wagner na abertura da II Conferência Estadual de Cultura (25 de outubro), após aprovação pela Assembléia Legislativa. Os representantes fazem parte da sociedade civil e atuam em diversas áreas como cultura indígena, culturas populares, políticas culturais, literatura, teatro, artes visuais, música, audiovisual, dança, arquitetura, cultura negra, cultura digital, entre outras.
Quatro câmaras compõem o CEC: Articulação e Integração; Políticas Sócio-Culturais; Produção Cultural Contemporânea e Patrimônio Histórico, Artístico Cultural e Paisagístico. A escolha dos conselheiros foi realizada a partir de uma escuta pública a mais de 30 instituições, incluindo universidades, sindicatos, associações profissionais e instituições de notório saber. Pela primeira vez o Conselho conta com representação do interior, com 20% de sua formação de pessoas que residem ou trabalham no interior do Estado.
Quem é o presidente
Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA (1999), EMILIANO JOSÉ da Silva Filho atualmente é professor licenciado da Faculdade de Comunicação (FACOM) desta mesma Universidade. Já foi vice-presidente do PT da Bahia, exerceu a presidência em 2005 e faz parte do Diretório Nacional (2006). Foi deputado estadual (1988/1989) pelo PMDB e pelo PT (2003-2006), e vereador da cidade de Salvador (2001-2002, PT). Quando na Assembléia, foi presidente da Comissão Especial para Assuntos da Comunidade Afro Descendente – CECAD, onde iniciou uma longa trajetória de lutas pelas causa negra. Integrou a assessoria política do ministro Waldir Pires, quando este exerceu seu mais recente mandato de deputado federal pelo PT baiano.
É escritor, tendo lançado os seguintes livros: Lamarca, o Capitão da Guerrilha (Global Editora, 1980), em parceria com o jornalista Oldack de Miranda, atualmente (2006) na 17ª edição; Narciso no Fundo das Galés - Combate Político através da Imprensa (Editexto, 1992), Imprensa e Poder: Ligações Perigosas (Edufba/Hucitec, 1995), Marighella – o Inimigo Número Um da Ditadura Militar (Editora Sol & Chuva/Casa Amarela, 1997), na 2º edição; Galeria F – Lembranças do Mar Cinzento (Editora Casa Amarela 2000); As Asas Invisíveis do Padre Renzo (Editora Casa Amarela). Esta última obra foi traduzida para o italiano pela Editora San Paolo, com o título Don Renzo Rossi: un prete fiorentino nelle carceri del Brasile e lançada em 2003 na Itália pelo governo da Província de Firenze. Em 2003 publicou Galeria F, Lembranças do Mar Cinzento - Parte II (Editora Casa Amarela). Está escrevendo, Galeria F, Lembranças do Mar Cinzento - Parte III, cujos capítulos estão sendo disponibilizados em seu site pessoal na Internet.