Considerando os casos e óbitos suspeitos de febre amarela, ocorridos em Goiás e no Distrito Federal, bem como a notificação de epizootias (enfermidades que atacam animais) em macacos nos estados de Minas Gerais, Piauí, Tocantins e Goiás, que fazem fronteira com a Bahia, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), através da Diretoria de Vigilância Epidemiológica (Divep), recomenda a vacinação, de forma seletiva, para todas as crianças a partir dos nove meses de idade e para os viajantes não vacinados, que vão se deslocar para as áreas de risco da doença.
Outra medida adotada pela Sesab, e que já faz parte da rotina nos municípios, é a vacinação, independente da idade, de todos os moradores não vacinados nos 73 municípios que fazem parte da área de risco potencial do estado, assegurando o reforço vacinal a cada 10 anos da data da última dose da referida vacina. Além disso, está sendo intensificada a vigilância dos eventos sentinela para a febre amarela (morte de primatas não humanos e casos de síndrome febril ícterohemorrágica), com notificação imediata à Divep dos referidos eventos.
A diretora da Divep, Alcina Andrade, pede a atenção das pessoas que vão viajar para as áreas de risco que tomem a vacina 10 dias antes da viagem. “A vacina confere imunidade entre o sétimo e o décimo dia após a sua aplicação e uma dose oferece proteção por 10 anos”, afirmou. Em Salvador, a vacina contra a febre amarela está disponível nos postos da Anvisa, localizados no aeroporto e no porto. Nos próximos dias mais dois postos serão montados, um no Terminal Marítimo e outro na rodoviária.
O que é febre amarela
A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico. A doença ataca o fígado e os rins e pode levar à morte. Existem dois tipos diferentes de febre amarela: a urbana e a silvestre. No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas urbanas, silvestres e rurais. A principal diferença é que nas cidades, o transmissor da doença é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas.
O último caso de febre amarela urbana registrado no Brasil foi em 1942, no Acre. Já a forma silvestre da doença provoca surtos localizados anualmente. As principais áreas onde ocorrem são na Bacia Amazônica, incluindo as grandes planícies da Colômbia e regiões orientais do Peru e da Bolívia, e na parte setentrional da América do Sul. Na Bahia, em 2000, ocorreram 10 casos de febre amarela silvestre, com três óbitos: dois no município de Coribe e um em Jaborandi.
Os principais sintomas da febre amarela são: mal-estar, febre alta, calafrios, dor muscular forte, dor de cabeça, cansaço, calafrios, vômitos e diarréia, que aparecem de três a seis dias. Se não for tratado a tempo e adequadamente, o paciente pode evoluir para óbito.
São esses os municípios da área de risco para febre amarela na Bahia: Alcobaça, Angical, Baianópolis, Barra, Barreiras, Belmonte, Bom Jesus da Lapa, Brejolândia, Buritirama, Campo Alegre de Lourdes, Canápolis, Canavieiras, Cândido Sales, Caravelas, Carinhanha, Casa Nova, Catolândia, Cocos, Cordeiros, Coribe, Correntina,Cotegipe, Cristópolis, Encruzilhada, Eunápolis, Feira da Mata, Formosa do Rio Preto, Guaratinga, Ibiraporã, Itagimirim, Itabela, Itanhém, Itapebí, Itarantim, Iuiú, Jaborandi, Jucuruçu, Lajedão, Luiz Eduardo Magalhães, Macarani, Maiquinique, Malhada, Mansidão,Mascote, Medeiros Neto, Mortugaba, Mucuri, Muquém de São Francisco, Nova Viçosa, Pilão Arcado, Piripá, Porto Seguro, Potiraguá, Prado, Remanso, Riachão das Neves, Santa Cruz Cabrália, Santa Maria da Vitória, Santa Rita de Cássia ,Santana, São Desidério , São Félix do Coribe, Sebastião Laranjeiras, Serra do Ramalho, Serra Dourada, Sítio do Mato, Tabocas do Brejo Velho, Teixeira de Freitas, Tremedal, Urandi, Vereda, Vitória da Conquista e Wanderley.