Oferecer à população de Santo Antônio de Jesus envolvida na produção clandestina de fogos de artifício, novas alternativas de emprego e renda. Esse é o objetivo do grupo de trabalho formado por representantes do Governo do Estado, do município, da Universidade Federal do Recôncavo e da sociedade civil, que se reuniu, nesta quinta-feira (28), na Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (SJCDH) para definir estratégias de desenvolvimento sustentável e a inclusão produtiva dessas pessoas.
A proposta é implementar novos investimentos que articulem as políticas agrícolas, industriais e de serviços, bem como as políticas educacionais de formação e capacitação de mão-de-obra, além de uma redefinição da atividade pirotécnica na região que garanta a segurança, proteção e legalidade do trabalho.
“Para uma parcela significativa da população, essa é ainda a única fonte de renda. Vamos apresentar outras alternativas e conjugar esforços, com os órgãos responsáveis, no sentido de aumentar a fiscalização e repressão à clandestinidade dessa atividade”, informou o superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos da SJCDH, Frederico Fernandes.
O diretor da Indústria e Comércio do município, Antonio Galvão, afirmou que a clandestinidade é o grande empecilho para desenvolver ações mais efetivas. “Seria interessante que a população denunciasse onde ocorrem essas práticas para que pudéssemos combatê-la de forma mais preventiva”, disse
O importante, na opinião do coordenador do Pólo Sindical da região, Aílton Santos, é regularizar a atividade daqueles que a realizam na informalidade, de modo que ganhem condições adequadas e seguras para praticá-las. “Essa já é uma tradição de mais de 100 anos e envolve mais de 15 mil pessoas, que trabalham sem carteira assinada”, acrescentou.
Em Santo Antônio de Jesus, muitas pessoas se arriscam trabalhando sem instrumentos adequados e equipamentos de proteção que ofereçam segurança. Em 1998, a explosão de uma fábrica de fogos matou 64 pessoas. Há dois dias, mais duas sofreram graves queimaduras pelo corpo e estão internadas em estado grave no Hospital Geral do Estado (HGE).