A Bahia recebeu cerca de 800 mil turistas estrangeiros durante todo o ano de 2006. Segundo levantamento feito pela Secretaria Estadual do Turismo, os chineses representam menos de 1% desse total. Para reverter o quadro, representantes dos governos da Bahia e da província chinesa de Shandong, assinaram, nesta quarta-feira (19), na Setur, um protocolo de intenções.
Dados da Organização Mundial do Turismo revelam que o fluxo de chineses que viajam pelo mundo saltou de 9 milhões, em 1999, para 34 milhões, em 2006. De olho nesse mercado, o Governador do Estado iniciou, no final de 2007, as negociações com as autoridades do país asiático para concretizar a meta de tornar a China o quarto maior emissor de turistas à Bahia até 2020.
Os reflexos dessa iniciativa já podem ser traduzidos em números. De acordo com a empresária Jae Sen Lan, 38, que possui uma agência de viagens especializada na recepção de chineses, os grupos de turistas foram ampliados nos últimos três anos. “Antes, tínhamos somente um grupo por ano. Desde o segundo semestre do ano passado, esse índice aumentou para uma média de um grupo por mês”.
A missão da China, comandada pela administradora de Turismo de Shandong, Zhu Limin, foi recebida por integrantes do governo baiano e dos setores turístico e de comércio exterior. Limin trouxe da Ásia uma peça de artesanato têxtil característica da região para a secretária do Turismo em exercício, Célia Bandeira, que retribuiu a gentileza com uma imagem esculpida em prata de Oxum. “Como são duas mulheres celebrando esse acordo, nada melhor do que este orixá”, justificou.
Zhu Limin ressaltou a receptividade dos baianos e disse que o calor humano e a simpatia são itens essenciais para a atração de visitantes. Ela também defendeu que os chineses participem no futuro de empreendimentos hoteleiros na Bahia.
O presidente do Centro Cultural Brasil-China, Ma To Chi, que vive há mais de 40 anos na Bahia, afirmou que o Estado é um dos melhores lugares do mundo para fazer turismo. Segundo ele, a Bahia tem inúmeras qualidades naturais e culturais e vale a pena visitá-la porque “é um local onde as coisas não custam caro”.
De acordo com informações do Centro Cultural Brasil-China, cerca de 500 chineses vivem no estado. Em Salvador, há pelo menos 100 estabelecimentos comerciais de propriedade dos chineses, entre restaurantes, lavanderias, pastelarias e lojas relacionadas a materiais fotográficos.
Shandong
Com cinco mil anos de existência, a província de Shandong é o terceiro centro mais importante da China, atrás apenas de Xangai e Pequim. Com 90 milhões de habitantes, o local concentra as atividades nos setores da indústria com uma rica produção de papel, equipamentos eletrônicos, aço, construção civil e petroquímicos. Em 2005, as exportações de Shandong alcançaram US$ 77 bilhões.
Na área do turismo, a província possui uma rica diversidade natural e cultural. Além do Rio Amarelo, o local possui construções milenares e um memorial em homenagem ao pensador Confúcio. Este ano, as autoridades da província esperam receber milhões de visitantes com a realização das competições náuticas dos Jogos Olímpicos de Pequim, na cidade de Jinan.
Investimentos no turismo
Entre os anos de 1991 e 2006, a Bahia recebeu cerca de US$ 1,7 bilhão de dólares em investimentos privados na área de turismo. Com a aplicação de R$ 343 milhões do governo baiano em infra-estrutura para o setor, o estado receberá, em 10 anos, mais US$ 3,3 bilhões, o que corresponde a praticamente o dobro do aplicado na década de 1990 até meados dos anos 2000.