Bahia e Alemanha devem intensificar relações comerciais na área de energia renovável

25/03/2008

A produção de energia renovável tem despertado a atenção internacional para o Brasil e para a Bahia, em particular. O assunto dominou a conversa reservada que tiveram o grupo de parlamentares alemães, liderado pelo vice-presidente da Assembléia Nacional da Alemanha, Hermann Otto Solms, e o governador Jaques Wagner, na tarde de hoje (25), na Governadoria.


Acompanhado do cônsul geral da Alemanha em Recife, Norbert Nadolski, os deputados, representantes de três partidos, avaliaram o encontro como frutífero e muito positivo. De acordo com Solms, o Brasil está tendo cada vez mais importância no abastecimento dos mercados mundiais de energias renováveis e a Alemanha tem interesse em aprofundar conhecimento no processo de produção de matérias-primas.


“Nós queremos biocombustíveis com recursos naturais da própria Alemanha, mas não estamos interessados em devastar a natureza para a produção dessa energia, por isso viemos intensificar relações comerciais para que as nossas empresas aprendam com o Brasil”, afirmou.


Os parlamentares ficaram bem impressionados com o projeto do governo baiano de estímulo aos pequenos agricultores para a produção de matéria-prima para os biocombustíveis. “Principalmente por causa do impacto social positivo que provoca na vida desse segmento”, enfatizou Nadolski.


Educação


Pela manhã, o grupo visitou o colégio estadual Dr. Ailton Pinto de Andrade, localizado no conjunto Joanes Centro Oeste, bairro do Lobato, em Salvador. O colégio desenvolve, desde o ano passado, o projeto Comunidade Envolvida, Escola Protegida, que tem como meta reduzir a depredação das instalações com a participação da população do bairro nas atividades extra-curriculares.


O projeto nasceu na escola e integra pais, alunos e toda a comunidade do entorno. “O projeto suscita o desejo de conservação do patrimônio quando os moradores, além dos alunos, participam das atividades”, afirmou Marina Souza, coordenadora do colégio.


Diversas oficinas realizadas nas salas de aula nos finais de semana, como a de violão, artesanato e teatro, recebem apoio de uma ONG alemã. Os moradores também utilizam a sede da escola para a realização de cultos religiosos, rodas de capoeira e aulas de balé.


Durante a visita dos deputados, exibições de grupos de street dance e hip hop da própria comunidade animaram os alunos e os alemães, que deram sinais de aprovação com discretos balançar de ombros e pés.


O vice-presidente do parlamento alemão, deputado do partido Democrático Livre, disse que a Alemanha tem interesse em intensificar a relação com o Brasil. “Queremos cooperar na qualificação dos jardins de infância e das escolas primárias, que são a condição necessária para que o sistema educacional seja melhorado de forma integral”, afirmou Hermann Otto Solms.


O interesse dos alemães surgiu quando o professor Manfred, um alemão que passa boa parte do ano na Bahia, resolveu visitar e observar as atividades da escola por uma semana. Ele se empolgou e resolveu buscar ajuda dos compatriotas para ampliar o projeto para além da escola. Por meio de pesquisas históricas, por ele incentivadas, os moradores encontraram o sentido de pertencer a um lugar. Fundado há 26 anos, o colégio está localizado no bairro onde foi descoberto o primeiro poço de petróleo do Brasil.