A situação brasileira na luta pela substituição do amianto ou asbesto e a mobilização internacional pelo banimento do produto, que pode provocar graves doenças pulmonares e levar a óbito , serão tema de destaque durante o 3º Seminário sobre Amianto na Bahia, que acontece nos próximos dias 3 e 4, das 8h30 às 17 horas, no Ministério Público da Bahia.
A iniciativa é da Secretaria da Saúde do Estrado, através do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador (Cesat), em parceria com Ministério da Saúde/Renast (Rede Nacional de Atenção Integral à Saúde do Trabalhador), Ministério Público, Universidade Estadual de Feira de Santana e departamento de Medicina Preventiva e Social da Ufba.
Durante o evento, será instalada oficialmente a Comissão Intersetorial de acompanhamento do manejo e prevenção de impactos à saúde e ao meio ambiente decorrentes da exploração e uso de amianto e outros minerais na Bahia. Também será lançada a campanha Amianto – Desinformação Mata. O reconhecimento do impacto negativo do amianto sobre a saúde humana já levou ao banimento e sua substituição por fibras plásticas ou orgânicas em mais de 45 países, enquanto o Brasil mantém a política do uso controlado do amianto crisotila, tipo que constitui a quase totalidade das jazidas existentes no país.
As principais doenças relacionadas ao amianto, conforme os técnicos do Cesat, são a asbestose, doença que leva à progressiva substituição do tecido pulmonar normal por tecidos com fibrose, incapaz de realizar a troca gasosa; o câncer de pulmão; o mesotelioma de pleura, tumor maligno incurável que afeta a pleura, e as doenças pleurais, em sua maioria representadas pelas chamadas placas pleurais.
O 3º Seminário sobre o Amianto na Bahia reunirá gestores e técnicos de instituições públicas e privadas das áreas de saúde, do trabalho, da Previdência Social e do meio ambiente, além de trabalhadores e representantes de trabalhadores, entidades sindicais, setores empresariais, ONGs, entidades ambientalistas, Ministério Público, Justiça e universidades.
Entre as questões a serem discutidas estão as experiências de vigilância e promoção da saúde dos trabalhadores e estratégias de fortalecimento e ampliação da participação social, sobretudo das associações de trabalhadores.
A situação atual do amianto, vigilância e intervenção em saúde do trabalhador na cadeia produtiva do amianto, pneumopatias ocupacionais e ambientais por exposição ao amianto e os impactos ambientais e sociais relacionados à produção e uso do amianto são alguns temas do encontro, que terá também, na programação, depoimentos de trabalhadores de Simões Filho e de Bom Jesus da Serra (antigo distrito de Poções onde havia a mina de crisotila.