Estado investe R$ 14 mi na ovino-caprinocultura de corte

27/03/2008

O governo da Bahia, via Secretaria da Agricultura (Seagri), estabeleceu uma parceria para o desenvolvimento da ovino-caprinocultura de corte na região do semi-árido que vai atender prioritariamente os agricultores familiares. Os primeiros contratos de financiamento, assinados nesta quarta-feira (26), incluem a conclusão dos frigoríficos de Jussara, Pintadas e Juazeiro, com a garantia de pleno funcionamento dessas unidades agroindustriais, e a aquisição de matrizes de qualidade para melhoramento genético do rebanho.


Além da Seagri, a iniciativa envolve as secretarias estaduais de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti) e de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), o Senai, a Fundação Banco do Brasil, Banco do Nordeste, Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e organizações sociais. Os recursos destinados ao projeto são de R$ 14 milhões, sendo que R$ 6,7 milhões serão liberados pelo governo da Bahia, o que representa 49% dos investimentos.


O superintendente do Sebrae, Edival Passos, afirmou que o sucesso de um negócio não depende apenas de crédito, mas também de assistência técnica e do envolvimento de todo o setor produtivo. “Temos que orientar o produtor a investir em qualidade e adotar uma postura empreendedora, avançando desde a melhoria genética até a comercialização”, disse.


O prefeito de Pintadas, Valcir Almeida Rios, afirmou que o crescimento da ovino-caprinocultura vai beneficiar os municípios com a geração de emprego e renda. “Esse projeto vai fazer com que a atividade deixe de ser apenas uma cultura de subsistência para se tornar um empreendimento economicamente viável”, observou.


“Com apoio técnico e crédito, vamos expandir a criação, oferecendo um produto de qualidade e com preços mais vantajosos. Melhorando a produção, a gente melhora de vida”, ressaltou Vanderlan Araújo da Silva, produtor de caprinos e ovinos na região de Jussara.



Uso de novas tecnologias



O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira, informou que “ao investir na qualidade da carne, oferecer novas técnicas de manejo e estabelecer condições para a comercialização, estamos dando novo impulso à ovino-caprinocultura. Diante das exigências do consumidor, o produtor que não utilizar novas tecnologias para melhorar seu rebanho está fora do mercado”.


O secretário da Agricultura, Geraldo Simões, lembrou que a política adotada pelo Estado de investir no semi-árido está melhorando as condições de vida numa região que abrange 70% do território baiano e concentra municípios com os piores índices de desenvolvimento humano na Bahia.


Simões destacou que a criação de caprinos e ovinos tem se revelado uma atividade capaz de gerar emprego e renda, dando um novo impulso à economia da região, que abrange 265 municípios. “Quando estabelecemos parcerias envolvendo o setor público, instituições de crédito, cooperativas e movimentos sociais, as chances de êxito são bem maiores”, afirmou.



Programa Sertão Produtivo



A Superintendência da Agricultura Familiar (Suaf) e a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), órgãos da Seagri, oferecerão assistência técnica e realizará investimentos complementares na infra-estrutura dos frigoríficos, fornecimento de animais geneticamente melhorados e sêmen, além da distribuição de kits para ensilagem de forrageiras como reserva estratégica alimentar do rebanho para o período de estiagem.


As ações fazem parte do programa Sertão Produtivo, que tem como foco a caprino-ovinocultura, atividade desenvolvida por agricultores familiares, abrangendo toda a cadeia produtiva. A conclusão das unidades de processamento de carne, couro e artefatos beneficiará 6 mil produtores. Os frigoríficos atenderão à produção dos territórios de Irecê, Bacia do Jacuípe e Sertão do São Francisco.