Autoridades, familiares, amigos e fãs de Zélia Gattai despedem-se da escritora em velório, na capela F do cemitério Jardim da Saudade. O corpo da viúva de Jorge Amado será cremado neste domingo (18), às 17h, numa solenidade restrita aos familiares.
Zélia morreu às 16h30 de ontem, aos 91 anos, após uma parada cardíaca depois de 31 dias internada no Hospital da Bahia, por conta de complicações decorrentes de um procedimento cirúrgico para desobstruir um trecho do intestino delgado. A escritora publicou 14 obras, entre elas, o livro Anarquistas Graças a Deus, em 1979. Integrou a Academia Brasileira de Letras, onde ocupou a cadeira de número 23, que pertenceu ao marido.
O governador Jaques Wagner, que decretou luto oficial no estado por três dias, solidarizou-se com a família. Ele chegou ao velório, no final da manhã, acompanhado pela primeira-dama, Fátima Mendonça.
“Mesmo tendo nascido em São Paulo, Zélia representa hoje um ícone para a Bahia e para a literatura brasileira”, disse Wagner, ao lamentar a perda da escritora. Ele lembrou que assim como ele, Zélia adotou a Bahia como sua terra e “com seu sorriso largo e seu talento, ao lado história que o mundo sabe dela com Jorge, enalteceu a Bahia e o povo baiano”.
Reencontro
Zélia morreu sete anos depois de ter perdido o grande amor: o escritor baiano Jorge Amado, seu companheiro por 56 anos. Na capela onde está sendo realizado o velório, os filhos do casal, Paloma e João Jorge Amado, evitam maiores pronunciamentos à imprensa, mas divulgaram um texto de Jorge, fixado nas paredes da capela, revelando que eles acreditam que os dois se reencontraram:
“Tomo da mão de minha namorada, cúmplice da aventura há mais de meio século, co-piloto na navegação de cabotagem. Vamos sair de férias, mulher, bem as merecemos, após tantos dias e noites de trabalho na escrita e na invenção. Nossas primeiras férias em tantos anos. Vamos de passeio, em obrigações, sem compromissos. Vamos vagabundear sem montra de relógio, sem roteiro, anônimos viandantes”. O texto acompanha uma foto com os dois de mãos dadas.