A tênue linha que separa a sanidade da loucura e as formas de lidar com a fragilidade da mente humana inspiraram a seleção dos três filmes de diferentes épocas, estilos e abordagens, que integram a mostra “Fronteiras da Razão”, em cartaz na Sala Alexandre Robatto, de 9 a 15 de maio. O evento faz parte das atividades do dia Nacional de Luta Antimanicomial.
Com entrada franca, o público de Salvador vai encontrar no ciclo, desde o delicado documentário de Nicolas Philibert sobre uma arrojada instituição psiquiátrica que usa a arte como meio de terapia e inclusão social até o estranho thriller noir “Demência”, raridade da década de 50.
Serviço
Mostra “Fronteiras da Razão”, de 9 a 15 de maio, na Sala Alexandre Robatto, com entrada franca. Sessões às 15h; 17h30 e 20h. Realização: Conselho Regional de Psicologia; Conselho Regional de Serviço Social, Residência Multiprofissional em Saúde Mental (UNEB), Área Técnica de Saúde Mental (SESAB), Grupo de Trabalho Eduardo Araújo, Diretório Acadêmico de Medicina da UFBA. Apoio: Cinemateca da Embaixada da França no Rio de Janeiro e Rio Filme.
Programação
“O mínimo das coisas” (La moindre des choses, França, 1996)
Às 15h
Direção: Nicolas Philibert.
Duração: 100 min.
Censura Livre
Sinopse - Rodeados por comediantes e músicos, os pensionistas do hospital psiquiátrico “La Borde” preparam uma representação de uma Opereta. Muito delicadamente, Nicolas Philibert filma essa instituição "diferente das outras". Nesse lugar, nossa visão sobre a doença muda e o trabalho de cada um se torna tão familiar que aplaudimos com o público as cenas finais da representação.
Estamira (BRA, 2004)
Às 17h30
Direção: Marcos Prado
Duração: 121 min.
Censura: 14 anos
Apoio: Rio Filme
Sinopse - Estamira, 63 anos de idade, trabalha há mais de duas décadas no Aterro Sanitário de Jardim Gramacho, no Rio de Janeiro. Ela sofre de esquizofrenia. Porém, carismática e maternal, lidera a pequena comunidade onde vive, formada por velhos que habitam o lixão. Filmado desde 2000, quando Estamira começou a se tratar num centro psiquiátrico público, este documentário mostra seu cotidiano ao longo de três anos, sua transformação e os efeitos dos remédios que é obrigada tomar. Com um discurso eloqüente, filosófico e poético, ela tem uma missão: revelar e cobrar a verdade. Sobrevivendo no lixo da civilização, consegue superar sua condição miserável para por em questão os valores perdidos da sociedade.
Demência (Dementia, EUA, 1955)
Às 20h
Direção: John Parker
Duração: 61 min.
Elenco: Adrienne Barrett, Richard Barron e Bem Roseman.
Sinopse - Produção maldita realizada na metade dos anos 50, tirada de circulação por suas ousadias formais, que não foram compreendidas à época de seu lançamento. Sem nenhum diálogo, o filme de John Parker acompanha as andanças de uma mulher psicótica pelas ruas de uma grande cidade. “Demência” foi produzido de maneira cooperativada, usando as sucatas de cenários de “A Marca da Maldade”, de Orson Welles. Depois de um fracassado lançamento comercial o filme foi relançado com título trocado e com a introdução de um narrador para "explicar" o inexplicável. Na época, a revista Variety definiu “Demência” como "o mais estranho filme já mostrado nos cinemas".