Alvorada no Largo da Lapinha alegra moradores e comerciantes informais

02/07/2008

O amanhecer no Largo da Lapinha durante o 2 de julho é diferente. Antes mesmo do sol nascer, o movimento de pessoas denuncia a chegada de um dia especial. Vendedores ambulantes de café , mingau, mungunzá, e outros quitutes típicos circulam pelo largo, observados por moradores que, pouco a pouco, vão abrindo suas janelas para saudar a alvorada, às 6h, com uma queima de fogos, comemorando a consolidação da independência do Brasil com a expulsão dos portugueses da Bahia.


É o caso da família de Severino Soares, 72 anos, que mora com a mulher, cinco filhos e quatro netos em uma casa no coração do Largo da Lapinha. Ele conta que o imóvel é da família de sua mulher, que hoje tem 65 anos, desde que ela era criança. “Que eu moro aqui, já são 35 anos. É muito bom ver o civismo dos baianos, a presença das autoridades, turistas, todos juntos comemorando a independência do nosso povo”, afirmou.


Uma das filhas de Severino, Débora Bittencourt, disse que traz na memória as comemorações das quais participa desde criança. “Tem de tudo, a tradição, as banda da Marinha, da Polícia Militar, as manifestações populares, as homenagem ao casal de caboclos. O importante é que nossos filhos e sobrinhos possam conhecer de perto essa parte da história, como eu e meus irmãos conhecemos”, afirmou.


O alagoano Sebastião da Silva, 32 anos, há 14 anos sobrevive com uma renda de cerca de R$ 20 diários, que ganha com a venda de alimentos típicos como mingau, milho e mungunzá. Ele foi um dos primeiros a chegar ao Largo da Lapinha na madrugada deste 2 de julho. “Geralmente, eu saio às seis. Hoje, às 4h eu já estava na rua para garantir a minha chegada no ponto para vender, depois fica difícil, por causa do movimento”, afirmou.


Aos 54 anos, outro ambulante, Roberto Silva, também depende dos cerca de R$ 15 reais diários que ganha vendendo café, balas e outros produtos para sustentar sua mulher e quatro filhos. “Mas hoje, a expectativa é outra, tenho certeza de que ter chegado mais cedo aqui vai me render R$ 50 ou mais”.