Com o passar das horas da manhã desta quarta-feira, o Largo da Lapinha foi-se enchendo de gente para acompanhar os festejos do 2 de julho. Durante todo o dia, o local é o cenário para manifestações culturais e religiosas típicas da população baiana encantando até mesmo o turista português, que não guarda ressentimento da expulsão dos seus conterrâneos do território e elogia a festa.
“Esta é uma oportunidade de conhecer melhor a história do Brasil. Este é um acontecimento que todo o povo baiano vive, não só as entidades oficiais, mas a população de modo espontâneo. Portanto, é uma festa abraçada por todo o povo e, para mim, vai ser muito enriquecedora”, afirmou o consultor de finanças português Abílio Brochado.
Na ocasião, Abílio teve a oportunidade de conhecer personagens típicos da cultura baiana, como o religioso Valdemar José de Souza, 61 anos, adepto do Candomblé. Natural de Caetité, tio Souza, como é conhecido, conta que há 43 anos participa de todos os eventos culturais e religiosos do estado.
“A festa do 2 de julho não pode ser comparada com as demais porque significa muito, não só para os baianos, mas para o país. Eu acho que essa festa deve ser de cunho nacional, já está na hora de consagrarmos a data como a de independência do Brasil e não da Bahia”, opinou.
Nesta quarta-feira, tio Souza está também comemorando uma graça recebida do casal de caboclos, que afirma serem as autoridades máximas na data. “Estou fazendo um agradecimento muito especial. Eu fiz um pedido exatamente no dia 2 de julho de 2007 e foi que consagrado no dia 2 de abril de 2008”, garante.
Para ele, a importância maior de todo o festejo está na homenagem aos caboclos e ao povo baiano. “Estamos celebrando a luta no nosso dia-a-dia por uma Bahia livre e independente”, afirmou.
Mariolívia de Brito e Edenice Pereira, índias da tribo de Vera Cruz, localizada na ilha de Itaparica, vivem da pesca e do artesanato e trouxeram suas filhas, Samilly Kelly e Daiane Brito, vestidas a caráter. “Eu vim para representar os índios, pois foi uma luta da qual nós participamos e defendemos muito a Bahia. Nós lutamos para defender a Bahia e tirar os estrangeiros daqui”, disse Mariolívia.