Cursos da área de saúde vão ministrar disciplina sobre transplante de órgãos

31/07/2008

Matéria publicada em 31/07/2008 - 14:40

Atualizada em 31/07/2008 - 17:05


Um protocolo de intenções que vai inserir o tema transplantes de órgãos na grade curricular dos cursos da área de saúde, especialmente medicina, foi assinado nesta quinta-feira (31) entre o Governo do Estado e 11 universidades públicas e particulares da Bahia. O objetivo é estimular as doações e formar profissionais mais preparados e sensíveis ao tema. O documento foi assinado durante o evento “Doe Órgãos, Doe Vida”, realizado no Centro de Convenções, com a participação do governador Jaques Wagner e do secretário da Saúde, Jorge Solla.


Na ocasião, a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) também assinou um termo de cooperação técnica com as Secretarias da Educação, do Turismo, da Cultura e do Trabalho, que a partir de agora vão incluir informações sobre o Programa Estadual de Transplante em suas ações. Logo em seguida, o governador doou sangue e assinou seu nome no cadastro nacional de doadores de medula, como forma de sensibilizar a sociedade para a importância do gesto. “O ato de doação de órgãos faz parte de um conjunto de valores que precisam ser fortalecidos”, disse Wagner.


Para os reitores das universidades que assinaram o protocolo, a inclusão do assunto no meio acadêmico vai contribuir para a formação de profissionais multiplicadores desse tipo de informação. “Não se trata de uma mera reforma curricular, e sim de um engajamento efetivo à causa”, falou Naomar Almeida Filho, reitor da Universidade Federal da Bahia (Ufba). Adélia Pinheiro, vice-reitora da Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc), também ressaltou os benefícios do ato. “Profissionais de saúde sensibilizados com o assunto certamente contribuem para uma sociedade mais esclarecida e informada sobre a importância de doar órgãos”, disse ela.


Este ano, 197 transplantes (19 de fígado, 45 de rim e 133 de córnea) já foram realizados na Bahia. Entre janeiro e junho de 2008, as doações de múltiplos órgãos cresceram 150% em relação ao mesmo período do ano passado. Em todo o estado, cerca de 3 mil pessoas estão na lista de espera – o rim é o órgão de maior procura. O secretário Jorge Solla destacou os avanços obtidos na área não apenas na capital, mas também no interior. “Já conseguimos fazer captações de órgãos em municípios como Barreiras, Vitória da Conquista e Feira de Santana. E temos hoje 30 profissionais de saúde trabalhando em núcleos de transplante em todo o estado”, revelou.


Além do cantor Xangai, do secretário municipal de Esporte, o pugilista Acelino de Freitas (Popó), e do diretor geral da Superintendência de Desportos da Bahia (Sudesb), Raimundo Nonato Tavares (Bobô), que se declararam doadores e deram apoio à causa, estavam presentes pessoas que já passaram por transplantes. Uma delas é Márcia Chaves, que recebeu há nove anos um rim doado pelo próprio pai e hoje preside a Associação de Pacientes Transplantados da Bahia (ATX-BA). Para que a doação de órgãos seja estimulada, ela acredita que a população deve ser informada.


“É preciso esclarecimento. Sem saber o que é captação de órgãos e o que é o transplante em si, não há como haver sensibilização”, comentou Márcia Chaves. Ela acrescentou que a inserção de uma disciplina sobre transplante no conteúdo programático das faculdades vai ajudar nesse sentido. “Os médicos ficarão mais sensíveis e vão notificar com mais rigor a morte encefálica, pois é a partir dela que se faz a captação e a doação de órgãos. A notificação de morte encefálica ainda é baixa e é preciso mudar isso”.


Todos são potenciais doadores


Após uma avaliação médica, todas as pessoas são doadoras em potencial. No Brasil, a doação só é permitida com a autorização de parentes de primeiro e segundo graus – daí a necessidade de comunicar à família a intenção de doar. Os órgãos são captados por uma equipe que atua nos hospitais e distribuídos de acordo com a fila de espera dos receptores.


Cada órgão (coração, pulmão, fígado, rim, pâncreas, intestino) e tecido (córnea, medula óssea, pele, osso, tendão e valva cardíaca) tem a sua fila própria e o paciente deve estar inscrito na central de transplante do seu estado, que é vinculado ao Ministério da Saúde, através do Sistema Nacional de Transplante.


Confira a lista das 11 universidades que assinaram com o Governo do Estado:



• Universidade Federal da Bahia (Ufba)

• Universidade Federal do Recôncavo Baiano

• Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs)

• Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb)

• Universidade do Estado da Bahia (Uneb)

• Universidade Estadual de Santa Cruz (Uesc)

• Escola Baiana de Medicina

• Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC)

• Faculdade Regional da Bahia

• Faculdade Rui Barbosa

• Centro Universitário da Bahia (FIB)