Estudantes e profissionais debatem comunicação na plenária de Juazeiro

19/07/2008

A cidade de Juazeiro sediou neste sábado (19) a sexta plenária da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia. Com um total de 120 inscritos, o evento reuniu estudantes de comunicação e profissionais da área no Colégio Modelo da cidade. Na platéia, pessoas dispostas e interessadas em discutir o assunto, como a primeira turma de graduados do curso de Comunicação com habilitação em Jornalismo – Multimeios, da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), campus de Juazeiro. Entre eles, estavam Osvaldo Júnior, 32 anos, e Lucilene Santos, 22, que, na qualidade de recém-formados, não hesitaram em se inscrever na plenária.


Ainda em lua de mel com o diploma, recebido há apenas 15 dias, eles falaram sobre as expectativas para o exercício da profissão e a realidade do mercado de jornalismo na região. “A área de comunicação ainda é muito restrita aqui na região de Juazeiro. Diante dos poucos veículos comerciais, muitos profissionais buscam a Internet e se dedicam ao jornalismo em blogs. Daí a importância de uma conferência como essa para que a gente possa avaliar, discutir e ponderar essas novas alternativas com as quais o profissional se depara”, diz Lucilene.


Enquanto ela demonstra um maior interesse pelo jornalismo impresso, Osvaldo se identifica mais com o rádio, onde pretende trabalhar. Também com boas expectativas em relação à profissão, ele reconhece a importância de políticas públicas eficazes para reger o setor e afirma a necessidade da criação de um Conselho Regional de Jornalismo. “Um organismo como esse, que existe em outras profissões, seria fundamental para que nós, profissionais do ramo, atuássemos com maior segurança, empenho e dedicação”, ressaltou ele.


No evento, também houve demonstrações dos esforços feitos por profissionais da região para uma comunicação democrática e de fácil acesso a todos. Fabíola Moura, professora do curso de Comunicação da Uneb em Juazeiro, falou sobre um projeto de criação de uma rádio universitária. “Já temos um laboratório pronto, mas nos falta um projeto técnico que nos permita dar entrada numa concessão”, diz ela, acrescentando também que faltam recursos – até agora, os recursos disponíveis são da própria universidade.


Mesmo assim, o empenho dos professores e dos alunos em nome da livre difusão da informação não impede que a Uneb mantenha um programa de rádio (revista eletrônica) há quase dois anos no ar numa rádio comercial. O programa ocupa a faixa das 8h às 9h aos sábados, com o noticiário produzido por alunos voluntários e até ex-alunos. “E estamos todo esse tempo no ar sem repetir um programa sequer. São todos inéditos. Enfim, estamos fazendo a nossa parte na produção de uma comunicação de qualidade. Nosso próximo passo é a estréia de um programa de TV e a negociação da exibição numa emissora local”, falou Fabíola.


Depois da abertura, no auditório, os participantes da plenária se reuniram em salas específicas, de acordo com o eixo temático escolhido – políticas públicas e novas tecnologias, entre eles. Cada sala teve a presença de um sensibilizador, que atuou como um palestrante levando temas diferenciados à discussão. Um deles foi o jornalista Pedro Caribé, representante da ONG Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social. Para ele, a comunicação deve ser vista como um direito, e não como uma mercadoria a serviço de poucos.


“O que deve existir é a livre produção e circulação da informação. E para isso, o barateamento das tecnologias é imprescindível. O acesso à Internet banda larga, aos livros e às novas mídias ainda é caro. Assim, o público acaba se limitando à televisão, o que restringe o horizonte de informações que ele pode receber. Buscar alternativas para reverter esse quadro talvez seja o caminho da comunicação considerada ideal”, destacou Pedro Caribé.


A plenária de Juazeiro abrangeu não apenas a população da cidade, mas de toda a região do Sertão do São Francisco, Piemonte do Itapicuru, Itaparica e Semi-Árido Nordeste II. Durante a abertura do evento, que teve direito a uma apresentação do grupo teatral 1º de Maio, houve ainda a exibição de um vídeo institucional com imagens e entrevistas das plenárias anteriores, realizadas em Eunápolis, Ilhéus, Vitória da Conquista, Barreiras e Irecê.


“É preciso assegurar o livre acesso de todos à comunicação, cujos meios não devem atender apenas aos interesses dos poderes dominantes, e sim de todos os segmentos da sociedade”, destacou o coordenador executivo da Assessoria Geral de Comunicação da Bahia (Agecom), Ernesto Marques. A partir de agora, as plenárias chegam à reta final. As próximas acontecem em Feira de Santana, domingo que vem, e em Salvador, no dia 2 de agosto. A conferência propriamente dita está marcada para os dias 14, 15 e 16 de agosto, na capital. Na oportunidade, todos os temas discutidos nas plenárias territoriais vão ser aprofundados.