No dia 25 deste mês, dois dos principais dinamizadores da cena artística africana - Fernando Alvim e Simon Njami - estarão em Salvador na Conferência África Contemporânea, que acontecerá às às 19h, no Museu de Arte Moderna da Bahia.
Curadores do Pavilhão Africano na última Bienal de Veneza, os artistas chegam à cidade por meio de uma parceria inédita entre o MAM e a Fundação Sindika Dokolo. A intenção é mostrar uma nova visão sobre a produção artística africana, além daquela primitivista que povoa o imaginário ocidental com máscaras, tribos e rituais.
Além disso, a conferência visa fortalecer o intercâmbio entre os artistas locais, o MAM e os curadores africanos, como uma etapa preparatória para a participação da Bahia na II Trienal de Luanda e a realização da Mostra Pan-Africana de Arte Contemporânea, em 2010, no MAM.
Estes profissionais se confrontam há anos com o sistema hermético da arte mundial - no qual as imagens dos vilarejos tribais ainda tomam o lugar da megalópole africana pós-colonial. “Esta conferência foi pensada a fim de estabelecer uma aproximação, trazendo para cá figuras fundamentais na cena da arte contemporânea africana como Simon Njami, crítico camaronês, escritor, fundador da mais importante publicação de arte africana (Revue Noire) e curador da ‘Africa Remix’, uma importante exposição sobre o continente africano na Europa. E Fernando Alvim, um artista angolano, curador da Galeria Camouflage, em Bruxelas, e da Trienal de Luanda”, explica Solange Farkas, diretora museu.
Tal aproximação é ainda mais intensificada diante da parceria do MAM com a Fundação Sindika Dokolo - um projeto de arte totalmente africano, gerido e financiado por africanos em seu próprio continente. A instituição mantém a coleção privada mais importante de arte contemporânea na África. Coleção essa que garante a existência de um dos mais importantes eventos de arte africana: a Trienal de Luanda.
“Parafraseando o poeta angolano José Eduardo Agualusa, precisamos redescobrir esta África da cultura viva, contemporânea, este continente muito maior do que aquele que nos chega pela televisão ou em breves notícias nos jornais, quase sempre pelas piores razões”, completa Solange.