Não há alerta para vacinação contra a febre amarela

09/07/2008

A superintendente de Vigilância e Proteção à Saúde, Lorene Pinto, e a diretora de Vigilância Epidemiológica, Alcina Andrade, reuniram a imprensa nesta quarta-feira (9) no auditório do Laboratório Central do Estado – Lacen, para explicar as ações de vigilância epidemiológica que a Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), juntamente com as secretarias municipais de saúde, vem realizando nos locais de ocorrência de epizootias (morte de macacos). Segundo explicou Lorene Pinto, a morte de um macaco, em janeiro, na área do Centro Industrial de Aratu (CIA), foi confirmada por febre amarela, mas os resultados dos exames laboratoriais, realizados pelo Laboratório Evandro Chagas, em Belém do Pará, referência para arbovírus no país, só foram conhecidos em maio.


“Não há necessidade de corrida aos postos de vacinação, uma vez que não existe nenhum caso registrado de febre amarela em humanos na Bahia e, além disso, por causa dos casos de febre amarela silvestre, ocorridos em janeiro na Região Centro-Oeste do país, estamos com elevada cobertura vacinal”, afirmou a diretora da Divep, Alcina Andrade, acrescentando que desde 2000, quando ocorreram dez casos da doença silvestre, na região de Coribe e Jaborandi, não há nenhum novo registro de casos humanos de febre amarela silvestre.


Com a ocorrência do caso positivo no macaco, a Sesab implementou a vigilância entomológica, com a captura de mosquitos para pesquisa de vírus da febre amarela, nas áreas de ocorrência da epizootia e nos locais com registro de morte de primatas não-humanos, realizou inquérito sorológico dos moradores das áreas onde ocorreram a morte desses animais, promoveu vacinação de bloqueio seletiva contra a febre amarela, nas áreas de ocorrência, divulgou alertas epidemiológicos para as Diretorias Regionais de Saúde (Dires), municípios e unidades hospitalares, além de vacinar, independente da idade, todos os moradores, ainda não vacinados, dos 62 municípios que fazem parte da área de transição ou risco potencial da Bahia, assegurando reforço a cada dez anos.


“Este mês, estamos realizando inquérito sorológico em primatas não-humanos, dando continuidade ao trabalho que já vinha sendo feito desde junho passado com técnicos do Ministério da Saúde, aproveitando também para capacitar equipes de alguns municípios e de outros estados, para a realização desse procedimento”, afirmou a diretora da Divep.


Sintomas da febre amarela


A febre amarela é uma doença infecciosa, causada pelo vírus amarílico. A doença ataca o fígado e os rins e pode levar à morte. Existem dois tipos diferentes de febre amarela: a urbana e a silvestre. No Brasil, a febre amarela pode ser adquirida em áreas urbanas, silvestres e rurais. A principal diferença é que nas cidades, o transmissor da doença é o mosquito Aedes aegypti, o mesmo da dengue. Nas matas, a febre amarela ocorre em macacos e os principais transmissores são os mosquitos dos gêneros Haemagogus e Sabethes, que picam preferencialmente esses primatas.


O último caso de febre amarela urbana registrado no Brasil foi em 1942, no Acre. Já a forma silvestre da doença provoca surtos localizados anualmente. As principais áreas onde ocorrem são na Bacia Amazônica, incluindo as grandes planícies da Colômbia e regiões orientais do Peru e da Bolívia, e na parte setentrional da América do Sul. Na Bahia, em 2000, ocorreram 10 casos de febre amarela silvestre, com três óbitos: dois no município de Coribe e um em Jaborandi.


Os principais sintomas da febre amarela são: mal-estar, febre alta, calafrios, dor muscular forte, dor de cabeça, cansaço, calafrios, vômitos e diarréia, que aparecem de três a seis dias após o contato com o vírus. Se não for tratado a tempo e adequadamente, o paciente pode evoluir para óbito.