Olarias de Maragogipinho vão ser abastecidas com madeira plantada

04/07/2008

Um convênio para a construção de um viveiro, no distrito de Maragogipinho, em Aratuípe, foi firmado pela Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e prefeitura do município. Com capacidade para a produção de 100 mil mudas por ano, o viveiro vai suprir a demanda por madeira das 135 olarias de Maragogipinho, considerado o maior centro de cerâmica da América Latina.


Reflorestamento, recomposição de matas ciliares e arborização urbana também são objetivos do convênio. As obras serão iniciadas na próxima semana, com apoio técnico da Sema. Para a presidente da Associação de Oleiros de Maragogipinho, Elenildes Santos, o convênio permite aos oleiros do distrito - com 90 por cento da população sobrevivendo do artesanato - planejar o futuro. “É um compromisso sócio ambiental que chega no tempo certo, unindo a comunidade”, avaliou.


Além de fortalecer os oleiros, o convênio vai oferecer aos pequenos agricultores da Maragogipinho a assistência técnica e os viveiros, na expectativa de serem cultivadas mudas de árvores, para produção de madeira certificada.


Para o secretário Juliano Matos, a iniciativa é pioneira quando associada à produção de cerâmica no país. “Será o primeiro produto do tipo no Brasil a adquirir o selo verde, fruto da responsabilidade ambiental”, previu. Matos disse ainda que é uma garantia para os jovens, assegurando desenvolvimento econômico e renda, aliados à proteção ao meio ambiente, para as futuras gerações.


O superintendente de Políticas Florestais, Conservação e Biodiversidade da Sema, Marcos Ferreira, destacou que a tradição histórica da cerâmica na região avança, ao somar a atividade de cultivo de bosques energéticos. “A todo momento a madeira é demandada. São mais de 100 oleiros que, segundo estimativas, suprimem 36 hectares por ano de vegetação nativa, o equivalente a 36 campos de futebol”, comparou.


Marcos vê no convênio a perspectiva de frear esse desmatamento, por meio do apoio ao produtor. Para isso, foi implantado, no início de junho, um escritório regional da Sema, em Valença. “Reflorestar é investir em poupança verde”, definiu Ferreira.