O segundo dia de atividades da Conferência de Comunicação Social da Bahia foi marcado por uma série de debates em torno das propostas que foram elaboradas durante as oito plenárias territoriais do encontro. As resoluções escolhidas serão encaminhadas para aprovação final neste sábado (16).
Na sexta-feira, foi definido o regimento da conferência e apresentada a Carta da Bahia. O documento reúne os principais pontos de políticas públicas e de democratização da comunicação no estado.
Para o assessor geral de Comunicação, Robinson Almeida, há um interesse muito grande dos participantes em torno dos eixos temáticos e da criação de políticas públicas para o setor. “Isso mostra que o Estado, como instituição, se preocupa com os interesses da sociedade”.
Durante o evento, os 248 delegados foram divididos em dois grupos e acompanharam as apresentações de dois painéis temáticos simultâneos, de acordo com os eixos voltados para políticas públicas e desenvolvimento territorial local além de comunicação, educação e novas tecnologias da informação e comunicação.
No painel de políticas públicas, o convidado Ismar Soares, que é responsável pelos projetos de lei em edu-comunicação na cidade de São Paulo e no estado do Mato Grosso, defendeu a utilização da educação interligada à comunicação como elemento transformador da sociedade.
Já Marcus Manhães, que é coordenador técnico do Laboratório de TV Digital na Diretoria de Inclusão e TV Digital na Fundação Centro de Pesquisa e Desenvolvimento afirmou que as discussões elaboradas durante a conferência devem ser levadas para as comunidades e postas em prática. “São sugestões excelentes que surgiram nesse encontro e que podem ser muito bem aproveitadas em aldeias indígenas, comunidades quilombolas e até mesmo nas escolas”, avalia.
Experiências
O encontro também serviu para a apresentação de experiências bem sucedidas na área de comunicação voltada para a produção regional. Dentro dessa perspectiva, foram discutidos os papeis de veículos comunitários como rádio e televisão.
Um grupo de Feira de Santana apresentou a experiência da TVJ, uma emissora comunitária que produz um programa local, em sinal de televisão por assinatura, e pretende ampliar a grade para seis produções.
O técnico em edição da emissora, que também é delegado da conferência, Lázaro Sampaio, lamenta que a Bahia possua apenas três canais de TV comunitária. Segundo ele, há espaço para funcionamento de 11 emissoras.
O coordenador da Educadora FM, que pertence ao Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia (Irdeb), Mario Sartorello, disse que já há um intercâmbio entre a emissora que dirige e rádios comunitárias para a execução de programas em parceria, sobretudo via internet.
Sartorello cita como exemplo de aproximação entre veículos e comunidade, a produção de um programa musical com conteúdo hip hop. “Hoje é o nosso produto de maior audiência”.
É justamente nessa aproximação que se baseia o atual modelo de gestão das rádios públicas. A afirmação é do presidente da Associação Brasileira das Rádios Públicas (Arpub), Orlando Guilhon. Para ele, as emissoras precisam abandonar o caráter institucional e pensar mais na sociedade. “Esse deve ser o conceito da rádio pública”.
Qualidade de conteúdo
A qualidade de conteúdo das emissoras de rádio e televisão também foi bastante discutida no encontro. Para Ricardo Tzsohn, que coordena a campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”, é preciso que a população denuncie cada vez mais, programas de conteúdo preconceituoso e ofensivo. “Isso dentro da legislação e tratados signatários, como por exemplo o Estatuto da Criança e Adolescente”.
Tzsonh afirmou que a entidade, ao tomar conhecimento da denúncia, vai até o patrocinador do programa “para deixá-lo ciente da ofensividade de conteúdo e também encaminha as reclamações para instituições como juizados de defesa do consumidor e Ministério Público”.