Ansiosos ou tranqüilos, pontuais ou apressados, seguros ou simplesmente acreditando na sorte. Os perfis, idades e cidades de origem eram diversos, mas o objetivo um só: tornar-se servidor do Ministério Público.
Para isso, aproximadamente 17 mil pessoas submeteram-se na tarde do domingo (dia 3), em 23 instituições de ensino de Salvador, às provas do II Concurso Público para Provimento de Cargos do Quadro de Pessoal Permanente do Ministério Público do Estado da Bahia.
Apenas 3.682 (17,85%) dos 20.622 candidatos inscritos não compareceram à seleção, que foi iniciada por volta das 14h e encerrada quatro horas e meia depois.
Foram oferecidas pelo concurso 127 vagas, sendo 67 para assistente técnico administrativo e 30 para motorista, ambos de nível médio, e 30 para analista técnico de nível superior. As provas e o gabarito serão divulgados nesta terça-feira (5).
Antes da abertura dos portões, marcada para as 13h20, centenas de candidatos aglomeravam-se nas proximidades das instituições de ensino onde seriam aplicadas as provas.
No Instituto Central de Educação Isaías Alves (Iceia), no Barbalho, local com maior concentração de pessoas, 1.946 candidatos, estava Ingrid Freire, formada em Letras, que, para tentar uma vaga de assistente técnico-administrativo (nível médio), saiu de Jacobina às 2h e chegou a Salvador às 7h, ficando “fazendo hora” acompanhada do pai até a abertura dos portões.
Já para Maria Tereza Cairo de Miranda, candidata a uma vaga de analista ambiental (nível superior), este é o primeiro concurso público onde ela tem a chance de tornar-se funcionária pública atuando na sua área de formação: urbanismo.
“Nunca prestei concurso para minha especialidade porque, geralmente, não são oferecidas vagas para a área de urbanismo. O MP tem um papel importante perante a sociedade e está atento às necessidades de cidades como Salvador, que cresce sem planejamento adequado”, ela observou.
Em frente ao Colégio Estadual Luiz Viana Filho, em Brotas, mais de mil candidatos misturavam-se a vendedores ambulantes, que ofereciam água mineral, lanches e canetas. E até cabos eleitorais que, diante da grande aglomeração de pessoas, distribuíam “santinhos” de candidatos nas eleições de outubro.
Quatro minutos antes do fechamento dos portões, marcado para as 13h50, os ambulantes acenavam para os candidatos atrasados, indicando que os portões iam fechar, o que aconteceu às 13h53.
Um minuto depois, um dos candidatos a motorista do MP, Aleomar Gomes, tentava, sem sucesso, convencer o policial que estava na guarita do colégio a deixá-lo entrar.
Segundo o candidato, ele saiu da Suburbana às 13h e o trânsito acabou prejudicando-o. Mas não houve jeito para ele e mais quatro candidatos que chegaram atrasados ao local, uma vez que a orientação constante no edital era a de que os candidatos chegassem com antecedência de uma hora ao local da prova.
No Colégio Estadual Landulfo Alves, em Água de Meninos, uma hora e quarenta minutos após o início da prova, a estudante de Direito Thayalla Santos Araújo, que concorre a uma das 17 vagas de assistente técnico-administrativo para Salvador, já tinha concluído a sua prova.
Ela gostou do tema da redação, sobre a capacidade do homem de reverter as situações adversas em favoráveis, mas achou as alternativas das questões de múltipla escolha bastante parecidas, o que, segundo ela, poderia confundir os candidatos.
O procurador-geral de Justiça Lidivaldo Britto visitou alguns locais de provas e disse que a realização de um novo concurso – o primeiro foi em 2004 – deveu-se à necessidade de ampliação do apoio à área de direitos transindividuais.
“O Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça do Meio Ambiente (Ceama), por exemplo, tinha a necessidade de um corpo especializado de servidores, por isso a maioria das vagas de nível superior para analista ambiental”, explicou o chefe do MP.
Ele atribuiu a quantidade expressiva de candidatos inscritos aos atrativos do serviço público, como salário diferenciado e estabilidade, e à credibilidade do Ministério Público, “que é visto como uma instituição séria, transparente e comprometida com a sociedade”.
Na avaliação da presidente da comissão do concurso, procuradora-geral de Justiça Adjunta Eny Magalhães, apesar no número de candidatos, tudo transcorreu em tranqüilidade.