Festa da Irmandade da Boa Morte

14/08/2008

LOCAL: Município de Cachoeira, região do Recôncavo Sul, a 110 quilômetros de Salvador.

DATA: 15.08.08 (sexta-feira).

HORÁRIO: 8h





O QUE É: Festa da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Na oportunidade, serão inauguradas as obras de restauração da Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Monte, de requalificação da orla da cidade e os reparos gerais na sede da irmandade.





INFORMAÇÕES ADICIONAIS:



EVENTO: É considerada a maior manifestação cultural do recôncavo baiano. Teve início na quarta-feira (13) e será encerrado no próximo domingo (17). Para a sexta-feira (15) está programado:



- Alvorada de fogos, às 6 horas, no Largo D’Ajuda;

- Missa festiva pela Assunção de Nossa Senhora, às 9 horas. Em seguida, posse da comissão organizadora da festa de 2009 e logo depois procissão de Nossa Senhora da Glória pelas principais ruas da cidade, acompanhada de filarmônicas, autoridades e populares;

- Almoço oferecido pelas irmãs aos convidados e participantes, às 12h30, na sede da irmandade;



FESTA: A manifestação cultural que atrai pesquisadores, fotógrafos, jornalistas e curiosos, inclusive estrangeiros, é realizada pela Irmandade da Boa Morte. A festa é um exemplo vivo da influência da cultura africana miscigenada às tradições católicas e acontece sempre durante a primeira quinzena de agosto. A Secretaria Municipal de Cultura e Turismo estima que a cidade deva receber cerca de 10 mil visitantes durante os dias dos festejos.



PROGRAMAÇÃO: De origem católica, é composta de missas, confissões, sentinela de Nossa Senhora da Boa Morte realizada na Igreja Matriz e três procissões nas principais ruas da cidade. Os rituais africanos são realizados de forma recatada e começam no mês de agosto, seguindo os preceitos de seus ancestrais. Oculto religioso tem duração de três dias, este ano começou no dia 13 e segue até o dia 15.



PÚBLICO: Os tradicionais festejos da Irmandade da Boa Morte devem atrair cerca de 300 visitantes norte-americanos. É comum Cachoeira receber público estrangeiro interessado em conhecer a mistura de elementos da cultura africana associados à religião católica, principalmente durante essa época. Contudo, o fluxo do evento deste ano também é resultado do trabalho de três missões da Secretaria de Turismo e Bahiatursa nos Estados Unidos da América (EUA), que desde 2007, quando foi lançado o Programa de Ação do Turismo Étnico Afro da Bahia, também em terras cachoeiranas, vem divulgando e promovendo a festa no exterior. A criação por parte do governo baiano de um projeto direcionado ao segmento do turismo étnico foi tão bem aceita, que a iniciativa foi adotada nacionalmente pelo Ministério do Turismo.



TURISMO ÉTNICO AFRO: O programa tem como objetivo atrair mais visitantes, sobretudo os afro-descendentes norte-americanos, para a Bahia, aproximando-os de sítios e manifestações culturais vinculados às suas origens. O projeto visa difundir o conceito desse segmento, além de pesquisar e coletar dados que contribuam para a elaboração de políticas públicas e modelos de gestão.



IRMANDADE: É uma confraria católica de mulheres negras e mestiças com mais de 40 anos, que descendem e representam a ancestralidade dos povos africanos escravizados e libertos no Recôncavo baiano. Hoje, com 236 anos de tradição, a entidade funciona em um conjunto de quatro sobrados do século XVIII, restaurados pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural. A irmandade conta hoje com 22 irmãs e quatro noviças, provenientes não só de Cachoeira, como também de outras cidades do Recôncavo e de Salvador.



PORTUGUAL: As celebrações religiosas em louvor a Nossa Senhora da Boa Morte, realizadas até hoje em Cachoeira por mulheres negras e com vínculos com o candomblé, eram até o final do século XIX realizadas com grande pompa no mosteiro de Lorvão em Portugal por devotas católicas. Lá, a festa também durava três dias, com ranchos, lanternas e comida farta. O auge dos festejos era o dia da Assunção de Nossa Senhora (15). Em Cachoeira, esta tradição não desapareceu, sendo mantida por devotas descendentes de escravos que incorporaram outros elementos ao cultos, contudo a essência da devoção católica é mantida.



OBRAS: As duas primeiras integram o Programa Monumenta do Governo Federal. Já as obras de reforma na sede da Irmandade da Boa Morte, foram viabilizadas com recursos do Tesouro Estadual e realizadas pelo Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac). As intervenções estão inseridas no sítio arquitetônico-histórico de Cachoeira, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). As três intervenções totalizam investimentos de R$ 3,4 milhões.



IGREJA DO MONTE: Com estilo neoclássico, foi tombada pelo Iphan em 1971. A intervenção conservou suas funções religiosas e aspecto erudito, fazendo apenas a adaptação de dois espaços para a construção de banheiros, como forma de adequar às necessidades da Irmandade da Conceição do Monte, e a abertura das salas que foram segmentadas. Foi mantida a planta original com adro, nave, salas laterais, ala privada e os corredores laterais.



ORLA: O projeto visou à adequação dos espaços urbanos a uma nova realidade socioeconômica. Foram executadas obras de pavimentação, calçadão de pedestres, meio-fio, calçadas, iluminação pública, drenagem pluvial, paisagismo, recuperação da Praça Ivone Beça Ramos, entre outras.



PROGRAMAMONUMENTA: É realizado pelo Iphan/Ministério da Cultura com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e contrapartida estadual, sob fiscalização e coordenação geral do Ipac, autarquia da Secretaria Estadual de Cultura (Secult). O programa propõe a recuperação sustentável do patrimônio histórico urbano brasileiro sob tutela federal, resultante de contrato de empréstimo entre o BID e a República. Executa obras de conservação e restauro e de medidas econômicas, institucionais e educativas, para ampliar o retorno econômico e social dos investimentos do programa, aplicando-os em sua conservação permanente.



MONUMENTA EM CACHOEIRA: Em julho do ano passado, três imóveis de Cachoeira foram restaurados pelo Monumenta e entregues à população. A Igreja Matriz Nossa Senhora do Rosário, o prédio nº 17 da Rua Benjamin Constant, exemplo típico de arquitetura residencial do Brasil Colônia, que abrigou o Arquivo Público Municipal até ser restaurado e agora é uma hospedaria do Iphan, e a casa de três pavimentos nº 34 na Rua Sete de Setembro, onde nasceu o jurista Augusto Teixeira de Freitas e que funcionou como residência até 1947, quando passou a ser a sede do fórum da cidade, todos foram construídos no século XVIII. Além desses três e dos dois que serão inaugurados na ocasião, outros imóveis na cidade ainda estão na lista dos contemplados pelo programa, como o quarteirão Leite Alves, que abrigará o campus da UFRB.



PATRIMÔNIO: Os municípios de Cachoeira e São Félix estão sendo objetos de estudos e pesquisas por parte do Ipac, em parceria com a Universidade do Recôncavo (UFRB) e a Universidade Federal da Bahia. Esses trabalhos fundamentarão um dossiê a ser encaminhado ao governador Jaques Wagner, que apresentará proposta à Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) para que o conjunto arquitetônico-histórico que formam as duas cidades seja nomeado como ‘Patrimônio da Humanidade’.