Direitos Humanos na Tela foi o tema da primeira mostra de filmes que aconteceu na Comunidade de Atendimento Socioeducativo de Salvador (Case), com o objetivo de ressocializar os adolescentes que cumprem medidas sócio-educativas, além de comemorar os 18 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Após a exibição de filmes como Bicho de Sete Cabeças, Bombadeira, Estamira e Ônibus 174, convidados e educadores discutiram sobre direitos humanos em diferentes segmentos sociais - luta antimanicomial, preconceito e homossexualidade, a responsabilidade social da segurança pública, o reconhecimento histórico da comunidade negra desprivilegiada, sem acesso ao trabalho, à educação, à cultura.
“Risos, identificações, reconhecimentos, dores, solidão, igualdade foram os sentimentos suscitados pelos filmes”, afirmou o secretário de comunicação da Case Salvador, Sandro Corrêa. “Nosso objetivo é utilizar o audiovisual para fazê-los refletir sobre o seu lugar e as possibilidades de transformá-lo, por meio de novas práticas e atitudes”, disse.
Ele explicou que a mostra agregou educandos, educadores e colaboradores. O evento teve participação especial de militantes dos Direitos Humanos como a transexual Andrezza Belushi, coordenadora do Projeto Esperança, entidade que apóia mulheres e travestis com Aids.
Ela também é uma das personagens do documentário Bombadeira. “A questão da homossexualidade é muito complexa, mas, debates como este são válidos neste espaço”, acentuou. Após o filme, Belushi debateu com os adolescentes a discriminação contra travestis que, segunda ela, têm de se submeter à prostituição porque não conseguem se inserir no mercado de trabalho formal.
“Cada um tem o direito de levar a vida sexual como quer. Esse filme nos deu a oportunidade de abrir a mente”, disse o jovem M.S., 16, que só foi ao cinema apenas uma vez, por meio das atividades de ressocialização da Case.
Novos rumos
O diretor interino da Case Salvador, Antônio Carlos Nonato, informou sobre a programação do segundo semestre, que acontecerá mensalmente, com atividades sempre voltadas às temáticas dos direitos humanos.
Os eventos correspondem às bases éticas e pedagógicas do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase), implementado no Estado pela Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes), por meio da Fundação da Criança e do Adolescente (Fundac).
Com isso, enfatiza Nonato, o Estado rompe com o paradigma repressivo, legado do Código de Menores, e atende o que é preconizado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).