A oitava e última plenária regional da 1ª Conferência de Comunicação Social da Bahia, realizada neste sábado (2) em Salvador, também foi a de maior público. Com 662 participantes, o evento levou estudantes e profissionais da área à Escola Parque, na Caixa D’Água, para discutir a elaboração e reformulação de políticas públicas para o setor. Os inscritos vieram da própria capital e região metropolitana, e do Recôncavo.
A plenária em Salvador encerra uma série de etapas que passaram por 23 territórios de identidade da Bahia. No total, 2.057 pessoas participaram dos debates – 154 em Eunápolis, 174 em Ilhéus, 200 em Vitória da Conquista, 105 em Barreiras, 242 em Irecê, 120 em Juazeiro, 400 em Feira de Santana e 662 na capital. Para Robinson Almeida, assessor geral de Comunicação do Governo do Estado, o saldo é extremamente positivo. “Foi uma prova de que, quando mobilizada e convidada, a sociedade comparece e participa, colaborando para tornar a comunicação mais democrática e acessível”.
Durante a abertura, marcada por uma apresentação do grupo de teatro de rua 1º de Maio, o representante da Executiva Nacional de Estudantes e aluno do curso de Produção Cultural da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom-Ufba), André Araújo, revelou ao público dados de 2007, que mostram a existência de 31 escolas de comunicação na Bahia. Juntas, elas oferecem 54 cursos e habilitações que recebem 2.500 alunos a cada semestre. “Não há dúvidas de que o universo de pessoas diretamente ligadas à área é grande. E até hoje, tivemos poucos espaços de diálogo como esse, onde podemos efetivamente nos comunicar. Até mesmo a discussão nas faculdades é muito técnica e simplista. Daí a importância de uma conferência específica sobre o tema”.
O diretor da Facom-Ufba, Giovandro Ferreira, também estava presente e falou sobre o impacto da variedade de sons e imagens transmitida pela mídia no cotidiano das pessoas. “A vida está cada vez mais mediada pela comunicação, seja por imagens, discursos e aparelhos eletrônicos. Basta ligar a TV para perceber isso. A gama de informações é tanta que já existe até o termo analfabeto tecnológico, que é aquele que não sabe manusear os diferentes meios de comunicação”, avaliou. Somente nos cursos e habilitações da Facom (Jornalismo e Produção Cultural), ingressam 50 novos estudantes por semestre.
Para Kardé Mourão, presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (Sinjorba), o aprofundamento do debate sobre comunicação beneficia especialmente a própria sociedade, que vai ter uma garantia maior de que está recebendo informações transmitidas por profissionais comprometidos com a verdade e a ética na profissão. “A manipulação existe não apenas em imagens e nos photoshops da vida. Ela está presente também na informação. O jornalista consciente de seu papel como comunicador tem que estar atento a isso e saber que a informação que ele transmite é um direito do cidadão”.
Após a abertura, no auditório da Escola Parque, os participantes seguiram para as salas para discutir temas específicos (políticas públicas e novas tecnologias de informação entre eles), orientados por moderadores e sensibilizadores. Ao final do evento, cada grupo vai eleger representantes da Região Metropolitana de Salvador na conferência propriamente dita, que acontece entre os dias 14 e 16 de agosto, no Hotel Sol Bahia (Patamares). Lá, as discussões levantadas nas plenárias vão ser aprofundadas.
Ao compor a mesa de abertura do evento, o presidente do Conselho Estadual de Cultura, professor Albino Rubim, apontou uma feliz coincidência. “Curioso este evento estar sendo realizado na Escola Parque, fundado por Anísio Teixeira, que colocou a Bahia na vanguarda da educação no país. E esta conferência também coloca o estado como vanguardista na discussão da comunicação no país, pois é o primeiro a realizar um evento desse tipo”.