Discutir os rumos da pesquisa, industrialização na ricinoquímica, produção de biocombustíveis e geração de emprego e renda para mais de um milhão de pessoas na cidade e no campo em diversas regiões produtoras de mamona do país.
Estes são alguns dos desafios do 3º Congresso Brasileiro da Mamona, que a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) e a Embrapa, realizam até esta quinta-feira (7), no Bahia Othon Palace Hotel, em Salvador, com tema central, “Energia e ricinoquímica”.
A cultura da mamona, reconhecida como uma das culturas mais versáteis e rentáveis na área da bioenergia, será debatida por mais de 800 pesquisadores, produtores, industriais de extração de óleo, representantes de empresas de fomento, universidades e ONGs.
O Secretário de Agricultura, Geraldo Simões, espera que a participação intensa de especialistas nessa área, no congresso, resulte em “grandes idéias e propostas, de maneira que cultivo de mamona não se contraponha à produção de alimentos, mostrando que é viável a utilização da mamona numa mistura como o biocombustível".
Simões destacou ainda ações realizadas para melhorar a produtividade da mamona na Bahia. "Estamos trabalhando muito para prestar assistência técnica de qualidade, na agricultura familiar, que é o forte da produção de mamona no estado, além de estarmos distribuindo material genético de qualidade e insumos e apoiando a mecanização".
A pesquisa e o lançamento de duas variedades de mamona de qualidade, desenvolvidas pela EBDA, também foram lembradas pelo secretário. "As novas variedades e todas essas ações têm o mesmo objetivo do presidente Lula, que é de melhorar a renda e a qualidade de vida dos agricultores familiares com o aumento da produção e da produtividade no estado".
Hoje a Bahia responde por 84% da área plantada com mamona na safra 2007/2008, com 141 mil hectares - 15% maior do que na safra anterior - com expectativa de colheita de 90 mil toneladas de bagas. O Brasil ocupa o terceiro lugar no ranking mundial, com 146 mil hectares de área plantada, precedido pela Índia, que tem 850 mil hectares, e logo atrás da China, detentora de uma área de 150 mil hectares.
A posição da Bahia e do Brasil foi lembrada pelo chefe da Embrapa Algodão, Napoleão Beltrão. "A Bahia é o centro da produção de mamona na América Latina. O Estado tem hoje 200 municípios zoneados com aptidão para a cultura da mamona. Acreditamos que o Nordeste possui quatro milhões de hectares e a mamona pode ser um componente muito importante, principalmente com o pilar social dentro do contexto do biocombustível".
Variedades de mamona
Nesta quarta-feira, durante um jantar comemorativo, no Clube Espanhol, na Barra, dentro da programação do Congresso, a EBDA vai lançar duas variedades de mamona: uma, a EBDA MPA 11, de porte alto, e a outra, a EBDA MPB 1, de porte baixo. Testadas nas diversas condições edafoclimáticas do Estado da Bahia, devem ser recomendadas para o cultivo nas próximas safras, nas regiões produtoras de mamona.