Quem assistiu ao filme Dona Flor e seus Dois Maridos, adaptação cinematográfica da obra homônima de Jorge Amado, deve se lembrar do instrumento que o recatado marido da protagonista tocava – o fagote.
O instrumento é um dos temas da Palestra Concertante, que acontece nesta quarta-feira (1), na Sala do Coro, às 18h30, com entrada franca. Na segunda parte do programa, o outro destaque é o oboé, instrumento responsável pela afinação de uma orquestra. A série integra a temporada artística da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba).
A fagotista Claudia Sales e a oboísta Diana Abadjieva irão explicar o “corpo” de cada instrumento e suas funções, além do processo evolutivo dentro da música orquestral e camerística. A apresentação terá a participação especial da moçambicana Eldevina Materula.
Completam o elenco, os músicos da orquestra, Wruahy Macmillian (fagote), Eduardo Torres (piano), Ilza Santana da Cruz (contrafagote), Suzana Kato (violoncelo) e Gil Santiago (bongô), e dois integrantes da Orquestra Juvenil 2 de Julho, do projeto Neojibá, Guilherme Gentil (oboé), e Abner da Silva (fagotes).
Fagote
O mais grave dos instrumentos de madeira da família dos sopros, o fagote tem um timbre que o torna adequado para peças cômicas ou líricas. O instrumento foi usado, inicialmente, nas orquestras para reforçar a linha dos baixos.
Trabalhos orquestrais com partes inteiramente dedicadas ao fagote só se popularizaram com a chegada do período clássico, no século 18. Sobre o fagote vai falar Claudia Salles, integrante da Osba, orientadora da classe de fagote da Universidade Federal da Bahia e professora dos alunos do projeto Neojibá.
A exposição do instrumento será ilustrada por obras de Paulo Costa Lima, Mozart, Astor Piazzolla, S. Prokofief e J. Manzo.
Oboé
Criado no século 17 pelos músicos franceses Jean Hotteterre e Michel Danican Philidor, o oboé, também do naipe de sopros, é considerado um dos mais difíceis tecnicamente.
Bastante popular entre os compositores Antonio Vivaldi, Bach, Alessandro Marcello, Händel, Tomaso Albinoni, Mozart e Strauss, ocupa ainda posição privilegiada na produção contemporânea.
Entre os intérpretes, o cenário musical destaca o suíço Heinz Holliger e o brasileiro Alex Klein, dois nomes fundamentais na divulgação do instrumento.
O oboé será abordado por Diana Adadjieva, integrante da Orquestra Sinfônica da Bahia e do Trio Pastorale que escolheu para mostrar a sua sonoridade, obras de Haendel, Britten e Mozart.
A apresentação terá a participação especial da premiada oboísta Eldevina Materula, natural de Maputo, Moçambique.
Solista das orquestras Gulbenkian, Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras e Orquestra Nacional do Tejo, todas de Portugal, ela colaborou, recentemente, com a Malmö Symphonie Orchestra (Suécia), Malmö Opera Orchestra (Suécia) e a Danish Radio Orchestra (Dinamarca). Eldevina é uma das fundadoras do Ensemble Palhetas duplas e da Orquestra de Câmara Portuguesa.